O blog Projetos para o Brasil visa a ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.
“A vida em sociedade se tornou tão complexa, tão “grossa”, que parece possível viver uma vida inteira sem saber ou entender como as coisas chegaram onde chegaram, em termos de estrutura social e econômica. O que eu chamo de alienação não é algo intencional (ou fruto da falta de intenção) do indivíduo, e sim uma certa inércia…uma força parecida com a gravidade, que torna mais difícil a subida até a superfície.”
O sangue é fraco ou, na verdade, por ser forte, não dá para resistir a postar uma entrevista que me emocionou, pela força, franqueza e lucidez de saber o quanto da vida pessoal social está aberto ao desenvolvimento, sobretudo nestes tempos bicudos, de fronteiras que se está ultrapassando, um fecundo fim-de-mundo que abrirá novas páginas na vida da humanidade.
Falo de Caio da Silva Sorrentino, 26 anos a completar no próximo 12 de abril, artista, estudante de artes plásticas nos EUA – NY -, ávido de conhecimentos e prenhe de vastos pensamentos e emoções imperfeitas – no sentido de próprias do tempo – parafraseando nosso imortal Rubem Fonseca.
Caio é meu filho e o amo incondicionalmente. Mas, além disso, racionalmente, o admiro em profundidade pelo seu ardor pela descoberta, comprometida com a humanidade. Acho que você vai gostar de ler esta Conversa.com, como retrato de um jovem que busca se apropriar deste mundo.
A gente só ouve o estrondo depois, não é?
Caio, quem é a pessoa Caio da Silva Sorrentino? Como você se define?
Quem? Eu? Eu falo muito, e “eu” é um assunto que tento suprimir, assim sobra mais tempo pra falar do resto. Sou inquieto, mas almejo muito a paciência, e tento cultivar ela.
Muito jovem, não é mesmo?
Eu sempre gostei de desenhar. Nasci em 1988, e quando eu tinha uns 6…7 anos, chegou o primeiro computador em casa. E para mim aquilo era uma caixa de mágicas. Continuei desenhando, e logo veio o primeiro Pentium, no qual meu irmão mais velho instalou o Photoshop 4. Eu tinha 8 anos. Aquilo pra mim foi equivalente a soma de cerveja e futebol, pizza e guaraná, cinema e jantar romântico: Desenho e Computador. Era um mundo sem limites onde eu podia realizar as ideias mais malucas. Comecei a colorir desenhos digitalmente, criar animações, sites, e depois parti para programas 3D. Eu alterava os jogos e criava meus próprios personagens e fases.
É a possibilidade de tornar a imaginação realidade que atrai a nossa atenção, né? Mas conforme eu crescia, a realidade que eu buscava foi se ampliando. Não bastava mais ela existir só dentro da tela do computador. Foi aí que eu comecei a perceber que faltava algo.
Pois é, não havia formação acadêmica. De certa forma essa profissão se auto inventou. Gente que percebeu o potencial da computação gráfica simplesmente resolveu experimentar com as ferramentas e ver o que era possível. O próprio Meliés, muito antes da computação gráfica surgir, foi um exemplo de como certas coisas surgem da experimentação pura, da motivação individual de um artista ou em alguns casos de pequenos grupos, sem muita preocupação com o contexto ou a utilidade. No caso da Pixar (hoje parte do grupo Disney) foi um grupo de amigos nerds que resolveu explorar as próprias descobertas algorítmicas e fazer pequenas animações para demonstrá-las. Viraram o maior estúdio de animação do mundo. Tem dezenas desses exemplos, e me parece que nenhum tem forte ligação com nenhuma academia.
É interessante pensar nisso… pois estou estudando a história da música moderna (ou melhor, do áudio) e no trabalho de artistas e grupos que hoje são descritos como parte do Minimalismo, dá para ver uma ligação acadêmica forte, mesmo que “informal” ou de forma levemente revoltada. Estou falando de grandes como John Cage, Steve Reich, Philip Glass mais recentemente. As experiências foram mais bem registradas, e se escreveu muito sobre as descobertas, sobre os fundamentos, e sobre a idealização de ambos. Me parece que nos efeitos especiais essa busca autocrítica não foi tão forte, aconteceu de forma muito diferente…e como tudo que vem acontecendo depois da internet, de forma muito menos “explicável”.
Não avisei que eu falo muito?
A partir de tua experiência de vida, que você acha da juventude hoje? Os jovens hoje são muito meritocráticos – aquela de vencer pelo próprio esforço – mas ao mesmo tempo precisam e sabem que precisam igualdade de oportunidades. Como você vê esse embate?
Cara, que pergunta difícil, hein? Enxergar nossa própria geração é uma das coisas mais difíceis que eu consigo imaginar. Porque as coisas acontecem meio silenciosas… a gente só ouve o estrondo depois, não é?
Parte de mim pensa que a “fórmula”, a estrutura social e econômica ocidental – que depende profundamente da tecnologia nos mais variados sentidos – facilitam (para dizer o mínimo) a alienação e o individualismo. Eu me incluo nessa. Como alguém que cresceu num mundo bem diferente daquele da sua geração por exemplo, eu também tive mais facilidade de cair numa certa ilusão. De tomar esse equilíbrio social e político como certo, e de pensar que eu podemos simplesmente almejar e curtir os últimos “gadgets” e ler as notícias resumidas em 140 caracteres.
Mas de qualquer maneira, não se trata de identificar problemas, e sim de perceber que relativamente, esse efeito existe e afeta o todo. Que temos que ter consciência de como essa fórmula age, tentar entender e tal.
Outra parte de mim pensa que parte dessa “meritocracia”, como você diz, e alienação, também são momentos de um processo de amadurecimento sobre as mudanças que ocorreram e ocorrem.
Então vejo a minha geração dessa forma: somos adultos preguiçosos do capitalismo liberal, adolescentes distraídos mas impulsivos da injustiça social, e os recém-nascidos de uma sociedade extremamente tecnológica. Não sei qual o som que estamos fazendo…mas acredito que vai haver um estrondo, e torço pra que os avanços sejam positivos.
Sobre esse embate especifico que você pergunta, eu imagino que esses embates sempre existiram, mas acho que a minha geração especificamente vai marcar pela busca em áreas alternativas. Se não há oportunidades num certo mercado, num certo nicho, para uma certa faixa da população, enfim, existem muitas ferramentas novas e logo existe muito espaço para ser ocupado. Existe fama dentro do Facebook, existe aplicativo de iPhone que revoluciona o sistema de táxis de uma grande metrópole, existe arte de rua dentro da galerias, e São Paulo é uma das capitais do mundo na arte de rua. Eu acho que existem sim muitas oportunidades, só estão em lugares que não existiam, ou que a gente não olhava antes. Como o todo vai se acomodar…isso não dá para saber.
Diga-me você está estudando e trabalhou nos EUA, qual sua impressão, como brasileiro, sobre o norte-americano médio de NY?
Eitcha lelé. Aí dá pano pra manga…
Eu sinto que o norte-americano médio de NY tem uma educação diferente. Eu sinto que existe menos dúvida (culturalmente) sobre questões sociais e econômicas “maiores”. De certa forma parece uma hipnose, uma crença religiosa numa economia liberal da qual não se tem muita consciência do contexto, sabe? Por outro lado, existe uma paixão pela cultura, pela arte, que é distinta. Tem muita porcaria? Tem. Mas tem muita coisa boa, e o Nova-Iorquino, especificamente, vai muito ao cinema, ao teatro, ao museu, à galeria de arte. A arte funciona como uma rede que permeia tudo.
Por fim, são extremamente pragmáticos, como nós sabemos. Mas muito mesmo. Tudo que questiona mais a fundo alguma coisa, se torna automaticamente mais acadêmico, mais teórico, mais inacessível. Creio que é um pouco assim em todo lugar, mas “a fundo” aqui são uns cinco pés (ja aprendi que um pé equivale a 30cm). Cada lugar tem uma noção diferente sobre a prática do questionamento né?
Bom, o lado interessante é que aprendi que esse pragmatismo também os torna excepcionalmente eficazes. Não digo só na produtividade, no capitalismo industrial e na segmentação da manufatura, mas em vários outros níveis, inclusive nos estudos. São muito sérios com trabalho, tarefas e metas em geral na vida, e aprendo muito sobre a importância de simplificar certas etapas, de saber se forçar a focar e cumprir uma meta, mesmo que sacrifique um pouco a “profundidade”. São muito capazes, e o pragmatismo funciona para o bem e para o mal. Às vezes ele te deixa sem saída. Sem opção. Sem incerteza, sabe? Quando se tira a incerteza da conta, fica difícil de se manter aberto para mudanças, e socialmente eu acho isso muito ruim. Muito.
Claro que existe muita gente ligada, estudiosa e interessada. Vejo muito cartaz de novos grupos de esquerda. Eles chamam de “The new left” e já tem se falado sobre um renascimento das ideias mais socialistas. Eles aplicam o pragmatismo nisso também, e tem muita gente se dedicando a “criar” esse novo vínculo. O mesmo acontece em outras áreas com certeza. Por tanto, estou falando de forma geral, sobre o Americano “médio”, e cometendo os erros de sempre quando se fala de forma geral sobre algo muito complicado.
Os olhos deles estão voltados pro mundo ou para o próprio umbigo?
Como nação: para o próprio umbigo, abertamente dizem isso, inclusive na faculdade. A educação é muito focada, de fato, e isso leva a uma mentalidade equivalente, em geral. Eles não têm o costume de acompanhar assuntos externos, não consomem cultura internacional a fundo. Quando algo chega e atinge eles, eles amam, abraçam, e eventualmente artistas acabam ficando aqui. Como é o caso, historicamente, de tantos artistas internacionais…de Antoine Saint-Exupéry a Vik Muniz. Isso faz com que, de certa forma, Nova Iorque (especificamente) seja um lugar extremamente cosmopolita e extremamente diferente do resto do país, que eu não conheço bem. Brincamos que aqui em Nova Iorque não se vêem Americanos… e isso traz uma abertura enorme. O Nova Iorquino é muito aberto, e conhece sim outras culturas, pois convive diariamente com o mundo todo, eu diria. Então não seria verdade dizer que são fechados, mas quando se trata de politica ou economia, a visão é bem centrada nos Estados Unidos.
E pelo avesso, como você vê que os brasileiros são vistos pelos norte-americanos?
De novo, Nova Iorque é um caso muito especifico. Com certeza essa relação soma estereótipos com uma certa característica daqui que é: todos somos de outro lugar. Quando perguntam de onde eu sou, eu respondo “Brasil”, e geralmente me perguntam “From Rio?” ou “From where in Brasil?”. Eu digo Sao Paulo e as pessoas conhecem, sabe? Às vezes a pessoa faz alguns comentários sobre o Brasil, sobre futebol, as vezes sobre o Lula (aconteceu algumas vezes há uns 2, 3 anos atrás) mais recentemente falam: “So…you guys will hold the World Cup AND the Olimpics?” com forte enfase no “and”, querendo dizer…bom, querendo dizer que é audacioso, no mínimo. Eu acho que ninguém confunde mais por causa da atenção que midia tem dado ao Brasil. Muitos ainda acham que agente fala espanhol, mas é normal né? Que lingua se fala em Laos? Eu não sei.
No geral todo mundo aqui é de “algum lugar”. Meu círculo de amigos é uma das coisas mais malucas: Chaerin é Sul-Koreana, Gurgen é da Albânia, cresceu em Moscow e fez colegial aqui. Eitan é Canadense, Dania é Libanesa, Raisa é de Puerto Rico (e reclama quando dizem que ela é “Americana” no papel), Gigi é da República Dominicana, Thati é Sul-Africana, algumas amigas Brasileiras… vários colegas Chineses…enfim. Toda aula é uma mini conferência da ONU. Isso faz de Nova Iorque um lugar muito distinto.
E você, sente a diferença de ser brasileiro? Sempre disse que nossa cultura é muito rica, marcante e singular, é o que nos faz brasileiros, miscigenados e dispostos a absorver a experiência humana de outros povos que também se integraram. Faz sentido visto a partir do estrangeiro?
Olha, tenho muito orgulho do Brasil, do povo e da cultura. Algumas coisas saltam aos olhos sim. Uma delas é a ligação com a Família, o jeito que lida com a família, e forma um grupo forte, é único. Musicalmente também sinto que somos muito ricos, sabe? Somos mais influenciados, ou melhor, apreciamos mais as outras culturas na nossa criação. Acho que temos uma conexão diferente com a música… talvez tenha a ver com como a MPB foi tão marcante nas recentes décadas, durante a ditadura e tal. Tropicalismo fez uma diferença enorme para o povo Brasileiro, culturalmente e politicamente.
Culturalmente Nova Iorque é muito rica, muito aberta também. Mas talvez essa variedade e abertura não tenha raízes tão profundas quanto no Brasil, sabe? Mas é difícil dizer.
Algo que posso dizer com certeza é que a relação que temos com a cor de pele é muito diferente. Não que eu veja mais (nem menos) focos de racismo nas ruas aqui, por que nesse sentido não é muito diferente…sempre existem indivíduos atrasados ou inseguros demais, e pequenos grupos que cultivam a cegueira social. Mas aqui existe uma segregação de ambos os lados. Tem bairros onde não se vê nenhum branco. Tem palavras que a comunidade afro-americana usa como gíria, como “Nigger” (Negro), mas que o branco não pode nem brincar. Existe uma certa afronta social num certo nível. Penso que tem a ver com como foi a história de luta por direitos iguais, com o que aconteceu com grandes caras como o Mr. King e o Malcolm X. Foi uma luta mais marcada, eu acredito. De certo ângulo tem a ver com o que eu acabei de ressaltar sobre a ditadura militar no Brasil. São as cicatrizes das nações.
Nova Iorque é realmente uma cidade cosmopolita e multicultural, ainda mais que Sampa, onde você nasceu e viveu. É marcante culturalmente ou a indústria cultural transformou tudo em mercadoria?
É muito marcante. Não tem dúvida. O consumismo é uma droga, e ofusca o brilho cultural tanto daqui quanto de São Paulo. Você vê gente comprando cultura como acessório de Status em todo lugar. Mas Nova Iorque tem muita arte, em todos os lugares, de todas as formas. É tipo um fungo que cresce em tudo. São Paulo tá indo num caminho parecido. Nesse sentido não são muito diferentes.
Você vem apresentando trabalhos artísticos em curso de artes plásticas. Versam sobre a alienação. Fale um pouco dessa abordagem.
Tenho refletido pacas sobre isso. Não tem conclusão, nem respostas. Mas algo que chama muito a minha atenção é que a vida em sociedade se tornou tão complexa, tão “grossa”, que parece possível viver uma vida inteira sem saber ou entender como as coisas chegaram onde chegaram, em termos de estrutura social e econômica. O que eu chamo de alienação não é algo intencional (ou fruto da falta de intenção) do indivíduo, e sim uma certa inércia…uma força parecida com a gravidade, que torna mais difícil a subida até a superfície. É impressionante como é difícil se entender o que se passa com o mundo, sabe? Não basta a pessoa querer, ou gostar…é preciso dedicação extrema. Recentemente tenho me interessado por esse fenômeno, por que me parece algo em que precisamos usar a tecnologia pra superar. E no âmbito social, não vejo muito acontecendo ainda. É muito lento. Eu fico pensando como era quando as coisas quando enxergar causa e consequência era algo mais intuitivo.
No ano passado li a transcrição de uma conversa entre o Julian Assange e o Eric Smith (Presidente do Google). Os caras estavam escrevendo um livro e o Julian, ingenuamente, conversou super abertamente sobre as ideias por trás do WikiLeaks. Tem muita teoria envolvida por parte dele. Num certo ponto da conversa (é longa, são umas 4h) o Assange fala um pouco sobre o estudo dele sobre os diferentes tipos de censura, e como ela funciona do ponto de vista psicológico/social. Por fim, sem dar muita corda, ele introduz o termo “censura por complexidade”. Para mim, ele foi quem começou a enxergar a charada.
No fim o Google estava fechando um acordo com Washington, e o livro era uma jogada para ajudar o mercado de investidores. Mas a entrevista está a disposição no WikiLeaks. “Transcript of secret meeting between Julian Assange and Google CEO Eric Schmidt”. Quem quiser ler, “é só dar um google”. É incrível.
Quais suas preferências intelectuais, musicais, de lazer… Qual o time do coração?
Palmeiras é o time do coração. Música instrumental, puxei de você…por que gosto muito, e é o que eu mais ouço. Por causa de uma aula da faculdade estou mergulhando numas coisas legais…Steve Reich, John Cage, Philip Glass. Tenho ouvido muito Ryuichi Sakamoto também. Também ouço, Tom Jobim, Alceu Valença, Almir Sáter, Zé Ramalho, Metallica, Morphine, Rush. Mas a música instrumental é mais constante na minha vida. Incluindo música clássica… Beethoven, Maurice Ravel, e tento ouvir umas coisas contemporaneas, do Osvaldo Golijov por exemplo. Às vezes me deparo com umas músicas difíceis pacas…mas com movimentos que gosto muito, e acabo ouvindo músicas inteiras por causa daquele movimento especifico de 2, 3 minutos. Aos poucos você começa a sentir alguma relação entre eles… e quando isso acontece é magico, então continuo buscando. Mas não é sempre que rola.
Cara, estou lendo sobre o que me interessa mais atualmente. É tipo uma sede por entender certas coisas que eu não consigo superar. Acabei começando uma pesquisa sobre o tema, então foquei ainda mais a leitura. A série de livros foi “9 Algoritmos que Mudaram o Futuro” (John MacCormick), depois “Big Data: A Revolution That Will Change How We Live, Work and Think” (Viktor Mayer-Shönberger/Kenneth Cukier), depois “Common As Air” de um cara chamado Lewis Hyde. Os dois primeiros foram informativos e me deram uma boa noção geral sobre as fronteiras tecnológicas. O último fala sobre propriedade. E foi bem mais interessante intelectualmente. Lewis Hyde se especializou em propriedade intelectual, mas ele faz um estudo partindo da Inglaterra pré-industrial, como a se desenvolveu a estrutura de propriedades, como ela funciona e por quê funciona como funciona. É muito louco, por que se aproxima das questões levantadas pelo Marx, por exemplo. O Lewis Hyde é porreta, viu?
Onde você imagina estar nos próximos cinco anos?
Cara, na faculdade. Mas espero ter muita gente me visitando aqui, caso eu aguente ficar 3 anos aqui nos Estados Unidos. Não é que eu não goste, mas é bem difícil. Desde um sentido prático, de estar sozinho, sem muito amparo, sem sobras. Mas também no sentido emocional, da falta da família, dos amigos, e de estar em São Paulo. Cara, dá um pouco de medo, por que eu acho produtivo estar aqui, nos mais variados sentidos, mas a cultura estrangeira começa a cansar também. No ambiente acadêmico eu tenho suporte, mas as vezes me decepciono com algumas ideias extremamente pragmáticas, hehe. E no ambiente cultural… putz. “Só” falta o BRASIL.

E quanto à vida pessoal, profissional e política futura, o que o aguarda?
Momento difícil pra responder. Tô muito aberto ainda, e concentrando nos próximos anos de faculdade. Quero estudar Filosofia e Ciências Sociais, e arte e tecnologia. Vou precisar pensar no que fazer com tudo isso em breve…e é um lance meio cabeludo pra mim. Então por enquanto estou tentando curtir a incerteza…
Obrigado, Caio, amei a conversa. Grande beijo.
A pedido do entrevistador (por acaso, meu pai), torno pública uma observação sobre a entrevista: sempre ODIEI a pergunta “onde você pensa em estar nos próximos 5 anos”. Em geral, ela me causa depressão, porque fico pensando: “pô, eu tenho que saber onde pretendo estar nos próximos 5 anos?”. Geralmente, quando penso em meus objetivos e pretensões eu não coloco datas… Penso “o que eu penso conseguir realizar na minha vida”.
E quando li a resposta do Caio sobre a pergunta (as duas últimas da entrevista), me caiu a ficha sobre uma possível explicação: somos frutos da “modernidade líquida”, em que tudo está sempre em aberto, incerto…
Vejo, portanto, um choque de gerações. Para a geração de meu pai é normal e até necessário pensar de forma planejada, estruturada (em que pese – e pesa – sua racionalidade extrema, que é uma característica pessoal, né? rsrsrs…).
Para nós, gera grande angústia termos que responder de forma categórica sobre um futuro sobre o qual não temos qualquer garantia, qualquer pista do que vá ser… ainda mais quando se coloca uma perspectiva de 5 anos, que hoje em dia é muuuuito tempo. Daí a minha “birra” com esse questionamento.
É uma ideia inacabada, escrita num breve intervalo… mas achei interessante compartilhar. Beijos aos dois, e agora dêem uma semana pra digerir todo esse caldeirão de ideias… Saudades muitas, Caio!
Diferença de gerações nem sempre é choque de gerações. Elas aprendem uma com as outras, se perfundem. Fica mais legal, filhona.
Mas pode ser do choque que surge a síntese e o consequente enriquecimento de ambos os lados… Acho que é um choque sim, no sentido de que há dificuldade em uma geração absorver e se encontrar em meio à lógica da outra. Isso ultrapassa a nós… falo de gerações. Mas o tempo foi curto pra me explicar melhor. Talvez numa entrevista… rsrsrs