Blog do Sorrentino – Projetos para o Brasil

O blog Projetos para o Brasil visa a ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.

Pelé não pode ficar no banco

Marcha dos trabalhadores

O fato novo que se faz necessário é Pelé entrar em campo, entrar no jogo prá valer. Já estava tardando, mas um primeiro sinal surgiu ontem.

Não foi anteontem, não, com a entrevista de Lula. Foi ontem com a marcha das Centrais Sindicais reivindicando seus anseios, em especial o fim do fator previdenciário e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem perda de direitos. Amanhã, o governo retoma diálogo com os movimentos sociais organizados.

O banco se agita, a arquibancada se põe de pé. Pelé é o povo brasileiro mobilizado. Só ele pode garantir o jogo.

A eleiçao de 2014 não será marcada apenas pela continuidade, talvez nem principalmente. Mas será contra o retrocesso apontado pela oposição, e pelo aprofundamento das mudanças. Diz-se que as conquistas alcançadas geraram novos anseios que, não atendidos no ritmo anterior, geram maus humores políticos.

Pois bem, os novos anseios estão presentes também nos setores organizados, da antiga e nova classe trabalhadora, da juventude organizada, da imensidão de mulheres que ponteiam nesses segmentos, de importantes setores intelectuais do país. Eles não podem se acomodar, ou se bastar com o que foi alcançado. Precisam apontar um novo ciclo de aprofundamento de mudanças, mobilizar o povo e encabeçar a disputa política pelos novos segmentos que ascenderam socialmente, mas estão desorganizados.

A Dilma não falta coragem para aprofundar mudanças, mas ela só pode cumprir esse papel apoiando-se no povo. O governo só não pode mobilizar a nação. Nem um técnico brilhante como Lula pode garantir o jogo. O decisivo é o povo mobilizado.

Muito vem sendo repactuado pelo governo. Com o sistema financeiro, por evidente, arrochando o tripé macroeconômico diante da crise mundial e da reação dos EUA. Com o empresariado produtivo, promovendo a defesa da moeda e juros baixos. Por aí, apenas, ela não obteve os apoios necessários, algo pelo contrário. Com a massa do povo beneficiada pelas conquistas dos últimos onze anos, não nos basta o voto, mas ganhá-la para a disputa política e de ideários que está em jogo e se acirrará cada vez mais na campanha presidencial.

Aí o papel do Pelé. Unir o povo em torno de uma plataforma para além do corporativismo imediato. Propor um projeto mais acelerado de desenvolvimento, direitos e progresso social. Promover reformas democráticas estruturantes do novo ciclo de aprofundamento do curso traçado. Em suma, mais que seus direitos, despertar o apetite Político – com maiúscula – do povo, para avançar, tendo por caminho um projeto de nação autônoma, desenvolvida e civilizada.

Esse é o principal papel da esquerda política neste momento. Sem isso, vai-se ficar reduzido a um cotidiano político indigesto e estéril, da esfera da pequena política – com minúscula.

A unidade maior do povo, sua mobilização, não é apenas eleitoral – o voto é consequência da disputa política que fizermos. O movimento sindical e juvenil, os mais organizados, podem ser a espinha vertebral do intento. Com sabedoria política, definir bem firme o nosso lado, o lado do povo, o lado da quarta vitória popular em outubro, e apresentar à repactuação da próxima eleição presidencial uma plataforma curta e grossa, o mais unitária possível, mobilizadora em palavras e fatos, para o horizonte dos próximos quatro anos. Não faltará apoio na sociedade civil a esse rumo; ao contráro, dará uma perspectiva a muitos segmentos que estão desorientados ou em dúvidas.

Enfim, não pode haver acomodação, é preciso reativação dos sujeitos sociais decisivos para as vitórias alcançadas desde 2002. E o caminho é repactuar o avanço com Dilma Rousseff.

O povo brasileiro quer mais, não retrocessos. Pelé precisa entrar no jogo.

Sobre Walter Sorrentino

Sou médico, nascido em 1954, paulistano. Membro do Comitê Central desde 1988, e Vice-Presidente do Partido Comunista do Brasil desde 2015.

Um comentário em “Pelé não pode ficar no banco

  1. Nivaldo Santana
    10 de abril de 2014

    De acordo com o conteúdo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 10 de abril de 2014 por em Opinião, Série 2014 e marcado , , , .

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 277.921 outros seguidores

Categorias

%d blogueiros gostam disto: