O blog Projetos para o Brasil visa a ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.
As chamadas “terceiras-vias” são carregadas de singularidades concretas. Pode ser uma do tipo nem-nem; ou pode ser do tipo e-ou, que se apoia numa das pernas para combater a outra, o que faz desta o alvo central, numa aliança tácita ou explícita. Entre uma e outra existem variantes mais ou menos aproximadas, até as inconsequentes e-e, tanto faz.
Na eleição presidencial brasileira Eduardo tentou esta segunda variante. A terceira via buscada estabelece contatos diretos com a outra oposição do PSDB. É uma proposta e-ou: ele, do PSDB, ou eu do PSB-Rede, mas Dilma nunca mais. Um está com Armínio Fraga no comando do programa econômico, outro com Pérsio Arida. Conta-conjunta pelo menos até a separação de bens.
Mas a tática já mudou. O caminho trilhado levou água ao moinho de Aécio, que subiu nas pesquisas. Começou agora uma separação de corpos: Eduardo se descola, Marina abre o verbo, alianças alinhavadas em Estados podem se modificar entre PSB-Rede e PSDB.
Voltemos aos programas. Podia-se esperar que pela proposição programática diferenciações importantes pudessem ser estabelecidas. Veremos. Do que dizem ambos para o empresariado e outros setores, a toada é assemelhada no que respeita a atarraxar mais o tripé macroeconômico, e até a defesa da autonomia por lei do Banco Central por parte do PSB-Rede, segundo a imprensa. E privatizações. Para ser mais realista que o rei, Campos propôs inflação a 3%, indiferente à recessão programada, desemprego e queda da renda do trabalho. O rótulo “social”, hoje, é uma necessidade para todos, dados os imensos avanços obtidos no país no progresso social, vai como uma espécie de maquiagem.
Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço físico ou político. Se a social-democracia brasileira – PSDB – inclinou-se há tempos ao liberalismo, expressão do conservadorismo atual, uma centro-direita fornida com apoio da direita, o outro polo pensaria talvez que há um espaço do tipo social-liberal? Na Europa esta variante tentou de tudo, desde Toni Blair, até Hollande hoje; nas viragens da situação, sempre terminou adernando ao liberalismo puro e simples. Marina até que faz o gênero…
Se for isso seria um social-liberalismo aggiornatto para as condições brasileiras. Mas quem disse que há espaço para social-liberalismo num país que ainda constrói um projeto nacional afirmativo? Pode ser só lantejoula transformista, ainda mais que na Europa. E quem disse que há uma base social definida para o social liberalismo no Brasil? Entre as forças sociais polares do país, nada assegura isso. Eleitoralmente, o apelo de Marina é anti-político na aparência e difuso – um nome eleitoral entre segmentos médios altos e que explora algum mal-estar na sociedade. Isso não é suficiente, e nem posso imaginar um sistema político de governo com os marineiros possa dar conta dos desafios estratégicos do Brasil.
PS: por razões que o blogueiro desconhece a postagem ficou errada anteriormente, com repetição de parágrafos. Vai aqui a versão definitiva. Desculpem.
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