Blog do Sorrentino – Projetos para o Brasil

O blog Projetos para o Brasil visa a ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.

Conversa com Renan Alencar, eleito presidente da UJS

No conversa.com Renan Alencar: “Fui eleito para a presidência nacional da UJS, para o biênio 2014-2016. Junto aos companheiros e companheiras eleitos comigo pra a direção nacional, em conjunto com nossos camaradas das direções estaduais, municipais e dos coletivos e frentes da UJS, espero poder cumprir com afinco nosso mandato, de luta por um Brasil justo, soberano, democrático e desenvolvido. Tenho certeza que não será fácil, mas é um desafio a altura da aguerrida militância da UJS. Daqui a cinco anos, espero estar graduado em engenharia e poder contribuir com o meu país.” 

Renan Alencar

Renan Alencar

Renan, vamos começar pelo fim. Você foi eleito Presidente Nacional da UJS, um orgulho para você e para nós. O que significou para você?

Para mim foi uma grande honra. Ter sido conferido a mim a confiança para presidir uma organização como a União da Juventude Socialista, uma organização que completa 30 anos de história a serviço do povo brasileiro. Foi simplesmente o maior Congresso da história da UJS, com meio milhão de jovens mobilizados, mais de 200 mil novos filiados e 3 mil reunidos em Brasília. Tivemos a oportunidade de receber a presidenta da República Dilma Rousseff. Na ocasião, apresentamos a necessidade da quarta vitória de um Projeto Popular e Democrático, através da re-eleição da Presidenta Dilma. É necessário renovar a esperança e avançar nas mudanças. Nessas eleições 40 milhões dos eleitores terão 35 anos ou menos e 11 milhões exercerão pela primeira vez o seu direito ao voto. Esses jovens que irão às urnas, certamente terão um peso decisivo nas eleições desse ano. Diretamente pelo contingente eleitoral que eles representam, seja pela proeminência que estes jovens possuem em seus locais de estudo, onde moram, onde trabalham e nas redes sociais, o que se costuma chamar de formadores de opinião. Esses são os mesmos jovens, que tiveram acesso à universidade, ao emprego formal e ao mercado de consumo nos últimos 12 anos. Eles também estiveram nas ruas em junho de 2013, para protestar contra os altos preços e pela má qualidade do transporte coletivo, nas grandes cidades brasileiras. Além de rechaçarem a forma truculenta e torpe com que a Polícia Militar trata a juventude, seja em protestos sociais onde a bala é de borracha, seja na periferia onde a bala é letal. Foi nítida também, a repulsa sobre a forma como os grandes meios de comunicação trataram os protestos. Precisamos disputar a narrativa e o legado que junho de 2013 deixou no seio da juventude e da sociedade brasileira.

Como foi sua iniciação política? Seus pais tiveram influência nisso? Como foi o encontro com a UJS – amor à primeira vista?

Sempre gostei de política desde jovem, era secundarista quando Lula foi eleito em 2002. Lembro muito bem da grande expectativa e comoção social que isso trouxe à tona, isso era tema de debate da minha roda de amigos na escola. Ainda no Ensino Médio tive contato com Maximo Gorki, Castro Alves, li um livro sobre a Revolução Cubana e sobre a Revolução Russa, gostava bastante do Che, do Fidel e do Chávez. Entrei na Universidade em 2004 e lá tive contato com a UJS. Em 2005 houve uma mobilização que a UJS realizou rumo ao 15º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, que ocorreu na Venezuela. Fui para o Festival e voltei maravilhado, tanto com o processo que pude conhecer naquele país, como, principalmente, com a galera que havia conhecido. Vi que eram jovens como eu, que gostavam bastante de política, mas que não eram quadradões. Pensei: “Aqui é meu lugar!” Entrei para o movimento estudantil, fui do Centro Acadêmico, da UEE, da UNE a qual eu tive a chance de representar ao longo de quatro anos na Organização Latino Americana e Caribenha dos Estudantes, quando morei quatro anos em Cuba. Conheci 28 países da América Latina e do Mundo, foi uma experiência sensacional. No último período, fui diretor de organização e vice-presidente nacional da UJS.

Muito jovem ainda, mas bem formado e muito compromissado. O que o define como pessoa?

Tenho a oportunidade de militar numa grande escola de socialismo da juventude brasileira.  A UJS sempre procura combinar leitura política clara e assertiva, com ação concreta de mobilização social. A síntese do que sou é fruto de minha origem social, de minha vivência social e de minha formação acadêmica. Das tarefas que tive a oportunidade de desempenhar ao longo de minha militância na UJS. Definir-se por si próprio, nem sempre é algo simples.

Que você acha da juventude hoje? Rolezinhos, black blocs, anseios, anarquismo, espelhamento nos tempos anteriores mas olhando para o futuro. Um filósofo disse que isso é a ideologia do shopping, fiquei chocado.

A juventude sempre foi um período fundamental da vida de qualquer indivíduo. É nessa fase da vida que são feitas as principais escolhas: a carreira profissional, formação do caráter político, de relacionamentos. O jovem também é questionador e é por isso que as principais sublevações sociais sempre contaram com a participação e o protagonismo juvenil. O jovem tem a capacidade de se indignar com as atrocidades cometidas pelo sistema capitalista. Em nosso tempo, a juventude possui características que não são menores. Milhões de jovens ingressaram na escola, no ensino técnico, na universidade, no mercado de trabalho e no mercado consumidor. Foram às ruas em junho de 2013 e conquistaram vitórias concretas em todo o Brasil, como a redução das tarifas, melhorias concretas para a saúde com o Mais Médicos, para a Educação como foi a conquista dos royalties do Pré-sal. Vivemos um tempo de crescimento de oportunidades e de aprofundamento da democracia. Enfim, a juventude do nosso tempo está muito mais empoderada. Isso explica em parte fenômenos como o rolezinho, manifestações ocorrendo por todo o Brasil, o aumento do interesse do jovem pela política.

De todo modo, há um evidente sentimento anti-partidário e uma despolitização das visões de extensas camadas jovens, certo? Eles farão suas próprias experiências políticas, e a UJS importa muito para dar um rumo politizado em prol dos interesses fundamentais dos brasileiros. Que lhe parece?

O que às vezes é verbalizado como negação da política, nada mais é do que um sentimento de um não reconhecimento da política, como ela é majoritariamente feita hoje no Brasil. Por isso, necessitamos disputar a opinião e o sentimento desses jovens, que foi às ruas. Pois no geral, assim como nós, eles sonham em transformar o Brasil em um país melhor.

Os jovens hoje são muito meritocráticos – aquela de vencer pelo próprio esforço – mas ao mesmo tempo precisam e sabem que precisam igualdade de oportunidades. Como você vê esse embate?

O grande problema da lógica meritocrática no sistema capitalista, é que na imensa maioria das vezes, cobra-se de desiguais o mesmo desempenho. Sem que ambos tenham tido igualdade de oportunidades. Por exemplo, querem exigir de um jovem da periferia, que precisa trabalhar durante o dia e faz o ensino médio à noite numa escola pública, o mesmo rendimento num exame de ingresso a universidade, que um jovem de classe média ou média alta, que estuda pela manhã, pratica esporte à tarde e faz aula de idiomas e reforço pela noite. O Brasil precisa oferecer ainda mais oportunidades para a nossa juventude. Sem oportunidades, perde a juventude e perde o país. Precisamos garimpar os futuros cientistas, campeões olímpicos, empreendedores, professores. Além de cercear o acesso a direitos ou bem fundamentais, o capitalismo cultiva amplamente valores de individualismo, mesquinhez, egoísmo. Mas existe no Brasil, uma organização política que não se conforma e que luta contra tudo isso, o nome dela é UJS.

Governo Dilma, sinceramente…

É um governo de esquerda, democrático, de coalizão incluindo setores de centro, que ajudam a dar estabilidade e garantem a governabilidade, mas ao mesmo tempo impõem certos limites ao governo. É um governo de continuidade das políticas iniciadas pelo Presidente Lula. Políticas sociais, no estímulo a inclusão social pelo consumo através do fortalecimento do Bolsa Família, do Brasil sem Miséria, da geração de empregos e valorização do salário mínimo. Mas também pelo apreço pelas obras do Plano de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2), as 10 maiores obras do PAC 2, são de caráter infra estrutural, como hidroelétricas, refinarias, petroquímicas, termoelétricas, ferrovias, portos e aeroportos. A Dilma foi durante um tempo conhecida como a mãe do PAC. Além disso, Dilma tem apresentado convicções firmes quando se refere a temas como a Reforma Política, a apuração dos crimes cometidos durante a Ditadura Militar e o enfrentamento ao monopólio da grande mídia. No início do seu governo tomou medidas importantes de proteção à indústria nacional e de redução da taxa Selic ao patamar de um dígito. Nessa última, sofremos um revés na segunda metade do seu governo, voltando a figurar acima de 10%. É necessário ainda ampliar a taxa de investimento público para superar a lógica que nos trouxe até aqui. Posicionar o Estado como indutor do desenvolvimento nacional. Além de exportar minério de ferro, poderíamos também exportar maquinário pesado, industrializar e desenvolver o país. Aprofundar a democracia e romper com paradigmas não resolvidos durante as transições democráticas em nosso país é um desafio para esse governo e para os setores democráticos.

Quais suas preferências intelectuais, musicais, de lazer? Qual o time do coração?

Sou torcedor do Mengão, gosto de um sambinha, forró e de música brasileira, aprendi a diversificar meu gosto musical visitando alguns países da América Latina e do Mundo, sou eclético, mas minha play list é curta. Adoro as ciências exatas, sou de ir sempre ao cinema com minha namorada Carina, gosto de praticar esportes, faço jiu-jitsu sempre que posso. Já fui mais de balada, hoje em dia sou mais caseiro. Gosto bastante de cozinhar (acho que é relaxante). Na minha adolescência, convivi com a realidade de minha mãe e minha tia voltarem a estudar na universidade, uma história e a outra geografia. No início eu procurei ajudá-las a retomar o ritmo. Nessa empreitada, convivi um pouco com Darcy, Piaget, Sergio Buarque, Furtado, alguns livros de filosofia, sociologia, história. Além disso, sempre tive em casa os romancistas brasileiros, como José Alencar, Lima Barreto, Joaquim Manuel de Macedo, Monteiro Lobato, Aluísio de Azevedo, Graciliano Ramos, Milton Hatoum. Gosto de Galeano, Garcia Marquez, Saramago e Vargas Llosa. Se eu tivesse que indicar um autor para quem é adolescente ler, indicaria José de Alencar. É muito melhor do que esses romances de lobisomem e vampiro que vendem hoje em dia. É leve e boa para tomar gosto pela leitura.

Onde você imagina estar nos próximos cinco anos? E quanto à vida pessoal, profissional e política futura, o que a aguarda?

Fui eleito para a presidência nacional da UJS, para o biênio 2014-2016. Junto aos companheiros e companheiras eleitos comigo pra a direção nacional, em conjunto com nossos camaradas das direções estaduais, municipais e dos coletivos e frentes da UJS, espero poder cumprir com afinco nosso mandato, de luta por um Brasil justo, soberano, democrático e desenvolvido. Tenho certeza que não será fácil, mas é um desafio a altura da aguerrida militância da UJS. Daqui a cinco anos, espero estar graduado em engenharia e poder contribuir com o meu país, desempenhando alguma tarefa em numa empresa estatal do setor energético, como a PETROBRAS. Esse é um setor estratégico em nosso país, precisamos de homens e mulheres engajadas, posicionados em posicionados em postos de comando nessas empresas e em sindicatos dessas categorias.

visite: http://ujs.org.br/

Sobre Walter Sorrentino

Sou médico, nascido em 1954, paulistano. Membro do Comitê Central desde 1988, e Vice-Presidente do Partido Comunista do Brasil desde 2015.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 30 de maio de 2014 por em Conversa.com e marcado , , , .

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 277.921 outros seguidores

Categorias

%d blogueiros gostam disto: