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Batalha do Avai – Quadro de 50 metros quadrados é um dos registros iconográficos mais importantes da história do Brasil e retrata a Guerra do Paraguai. Foi pintado entre 1872 e 1877 pelo paraibano Pedro Américo

Capa do Livro A Batalha do Avai, (Sextante Artes, 174 páginas, 150 reais) escrito pela historiadora Lilia Schwarcz em parceria com os pós-graduandos Lúcia Klück Stumpf e Carlos Lima Júnior
O subtítulo do livro – A Beleza da Barbárie – destaca na capa a ambiguidade desse quadro histórico que deveria celebrar a Dezembrada, fase final da guerra da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) contra o Paraguai, em dezembro de 1868. O acadêmico Pedro Américo, que o imperador mandara estudar na Europa com uma bolsa, tenta agradar seu mecenas homônimo, à beira do ocaso, enaltecendo a grande guerra que consumiu todos os recursos do tesouro entre 1864 e 1870. De um lado, soldados fardados defendendo a “civilização”. De outro, os “bárbaros” paraguaios, retratados quase despidos, descalços e com patuás ao redor do pescoço. Redução a estereótipo era com Pedro Américo mesmo, pintor que, aliás, estudou Ciências Sociais na Sorbonne.
Porém, mesmo financiado pelo Império, ele não deixou de ouvir ecos da campanha contra a Coroa que fortaleceu o Exército e conduziu o Brasil à República dos militares. Vale lembrar que o pintor, na própria Batalha do Avaí, pinta a si mesmo como um soldado com expressão de horror e uma cabeça ao lado esquerdo do quadro em tudo semelhante à decepada de Tiradentes Esquartejado, tela realizada em 1893, quatro anos depois da proclamação da República. Um vira-casaca? Lilia Schwarcz compara Pedro Américo ao neoclássico Jacques-Louis David (1748-1825), que apoiou a Revolução Francesa, pintou seus líderes e depois se bandeou para o time do vitorioso Napoleão.
Parabéns aos autores – Lilia Schwarcz à frente, e o forte abraço à Lúcia, pelo merecido destaque. Ela vai longe!
Fonte: http://divirta-se.uai.com.br/
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