O blog Projetos para o Brasil visa a ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.
“Esta é a maior demonstração que o sonho de uma geração, de um país sem fome e sem miséria, está sendo realizado”, exaltou a presidenta Dilma. Ela se referia ao relatório da FAO/ONU de que o Brasil sai do mapa da fome: desde 2012 apenas 1,7% da população pode ser considerada em situação de insegurança alimentar. Considerando como referência o período de 2000-2002, desde 90-92 a redução do estoque de miséria/fome no Brasil foi de 15,6% (redução de 3,5 milhões de pessoas); na década seguinte, 2003-2012, a redução no índice foi de 82,1% (15,6 milhões de pessoas).
Graças ao governo Lula e Dilma, esse risco vai desaparecer de nossa história! Como o FMI credor do Brasil, direitos sociais protelados, falta de reconhecimento e empoderamento dos negros, mulheres e jovens.
Marina chorou ao dizer que passou fome. Foi, acredito, sincera. Mas a postura de Marina, nesse e em outros casos, indica que ela reforça um ideário conservador que vai se insinuando fortemente na sociedade, que é o da meritocracia, ou seja, de que as pessoas subiram na escala social pelo próprio esforço. Claro que esse esforço é indispensável: os brasileiros têm fibra. Mas a experiência brasileira, como a secular luta pelo fim da miséria e da fome demonstra, indica o quanto foi indispensável a noção de um projeto nacional autônomo e democrático, com atenção do Estado sob um governo de bases populares, para zerar a dívida social acumulada. Nesse sentido, é incrível a mudança de lado e perspectivas de Marina desde o início de sua vida política.
O resultado referido é histórico, mas a ninguém é dado desconhecer a ainda longa jornada por aprofundar as mudanças necessárias ao país para sua afirmação nacional, soberana, democrática e de plenos direitos sociais, quer dizer, completar o esforço civilizatório e abrir nova etapa em sua trajetória. Futuro é educação e reformas estruturais democráticas para consolidar e aprofundar as mudanças em curso. Isso não prescinde de nova vitória de forças populares à Presidência da República, de uma esquerda forte, sintonizada com o tempo e atuante, com um plano estratégico para novo ciclo. E cada dia mais vai se demonstrando que os maiores entraves para tanto residem na natureza a um só tempo conservadora e fragmentada do Estado brasileiro em disfuncionalidade com tais exigências.
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