Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca em SP

A cidade de São Paulo está elaborando o seu Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB) para promover o acesso de todos, e o Fórum Mudar São Paulo participa desse Grupo de Trabalho (GT) e apresenta algumas propostas para debate. Acho a iniciativa de alto significado civilizatório para Sampa, e recomendo a leitura e participação.
Por uma política do livro e do incentivo à leitura para o município de São Paulo
Porque acreditamos:
- na possibilidade real democratização efetiva do livro e da leitura;
- na possibilidade de tornar o livro e a leitura parte da vida cotidiana dos moradores, crianças, jovens e adulto, de todos os bairros da capital, particularmente os mais carentes;
- no impacto positivo do livro e da leitura na vida dos cidadãos;
- que a disseminação de bibliotecas públicas vivas e dinâmicas e de livrarias de rua nas periferias eleva a qualidade de vida dos bairros e de seus cidadãos;
- que cabe ao poder público propiciar condições para que os bairros de nossas periferias superem a condição de bairros-dormitório e se convertam em centros de vivência coletiva com real qualidade de vida;
- que um povo que lê mais tem melhores condições de contribuir para com a solução dos problemas coletivos;
- que é necessária uma política pública municipal do livro e da leitura claramente definida, com metas estabelecidas para curto, médio, longo e longuíssimo prazos, que envolva as várias Secretarias do governo municipal;
Lutamos para que os bairros em que moram e vivem os trabalhadores, suas famílias e filhos, se tornem locais de cultura. O vazio cultural de nossas periferias, tratadas, inclusive pelo poder público, como bairros-dormitórios, ofende a quem produz a riqueza de nossa cidade. Mais livros, mais bibliotecas vivas e dinâmicas, mais livrarias de rua em nossas periferias, para que nossos jovens, e crianças e cidadãos em geral tenham, no local em que vivem, oferecidas as condições de realização de seus potencias.
Listamos a seguir um rol de ideias:
Ideias para a elaboração de uma política do livro para a cidade de São Paulo
Poder Público
- Articular programas das Secretarias de Educação e de Cultura relacionados ao livro e à leitura, de maneira a maximizar os recursos públicos e a ampliar o impacto desses programas que, compartilhados, terão seu alcance ampliado significativamente.
- Desenvolver, articulando Secretarias de Educação e de Cultura, programa de pesquisa e escolar em e frequentação de Bibliotecas Públicas Municipais, de maneira a incentivar crianças e jovens a incorporar a visita à biblioteca pública a suas vidas cotidianas e de maneira a tornar a Biblioteca Pública Municipal referência cultural prestigiada no bairro.
- Dar transparência aos processos de aquisição de livros e de concursos a eles relacionados na esfera das duas Secretarias, democratizando esse processo a partir do diálogo com setores envolvidos e da publicidade inequívoca de editais e de resultados.
- Criar comissão ou órgão intersecretarial de modo a definir metas, estratégias, programas e projetos relacionados ao livro e à leitura para toda a cidade, de modo a articular as ações das diversas Secretarias no esforço de democratizar o acesso ao livro e de elevar os índices de leitura do paulistano.
- Definir claramente o uso de bibliotecas dos CEUs, de maneira a integrá-las efetivamente no processo pedagógico e à vida da comunidade.
- Melhorar as instalações, o acervo e os equipamentos, inclusive multimidiáticos, das bibliotecas dos CEUS e das Bibliotecas Pública Municipais.
- Estabelecer programas de vinculação biblioteca-comunidade que não se baseie apenas em eventos periódicos, mas em cotidiano de ativação da comunidade, de modo a formar uma comunidade-leitora perene.
- Reestruturar salas de leitura escolares convertidas em sala de aula, o que limita e mesmo impossibilita a pesquisa dos estudantes.
- Sem prejuízo para as salas de leitura e incorporando-as, instalar bibliotecas nas escolas públicas do município. Sala de leitura é sala de leitura, biblioteca é biblioteca. Uma escola com biblioteca viva, ativa, dinâmica agrega um valor incomensurável às escolas, com repercussão na autoestima de estudantes e professores. Escola só com sala de leitura convertida em sala de aula e sem biblioteca emite péssima mensagem para a os estudantes e para a comunidade em que a escola está inserida (se nem a escola tem biblioteca, por que a casa do estudante deveria acomodar uma estante de livros?).
- Promover eventos escolares relacionados ao livro tais como festivais, prêmios, maratonas de leitura, articulados com o processo de ensino-aprendizagem e com a comunidade.
- Articular ações de escolas municipais (esfera da Secretaria da Educação) com bibliotecas municipais próximas (esfera da Secretaria da Cultura).
- Ampliar rede de bibliotecas municipais: Instalação de bibliotecas municipais em áreas de parques e clubes desportivos da cidade; em conjuntos habitacionais de responsabilidade da prefeitura; em áreas de subprefeituras e em terrenos ociosos da prefeitura municipal.
- Contratação por concurso de bibliotecários e funcionários em número suficiente para as atuais bibliotecas e para aquelas a serem instaladas na cidade ou reinstauradas nas unidades escolares.
- Desenvolver programa de formação permanente dos funcionários de Bibliotecas Públicas Municipais e escolares, de maneira a torná-los aptos a atrair a comunidade, interagir solidariamente com ela e a criar e desenvolver com ela estratégias, ações, programas e projetos que elevem a frequentação das bibliotecas, o índice de leitura dos cidadãos, e a presença do livro e da leitura cotidiana nos domicílios.
- Melhorar o acervo das bibliotecas públicas, de maneira a atrair não apenas público escolar e infantil, mas também jovens e adultos interessados em obras de não-ficção e das diversas áreas da produção simbólica, entre as quais as ciências, as artes e a filosofia.
- Estimular o surgimento de bibliotecas comunitárias, desenvolvendo programa específico para esse fim, particularmente em áreas carentes ou deficitárias em infraestrutura urbana em que parcerias podem se estabelecidas com entidades que já desenvolvam ações locais ou que estejam interessadas em desenvolvê-las.
- Redefinir o projeto dos ônibus-biblioteca, frequentemente subutilizado e de maneira burocrática.
- Desenvolver programa de leitores domiciliares que atenda a idosos e a pessoas impendidas, por razões particulares entre as quais de saúde, de se deslocar de suas residências ou do local em que se encontrem acolhidas ou hospedadas.
- Criar programa regular de presença de escritores, poetas, ilustradores de obras, quadrinhistas, críticos, pesquisadores, educadores, filósofos, sociólogos etc. para atividades com o público das Bibliotecas Públicas Municipais de bairros, com ampla articulação com a comunidade, de maneira a fazer repercutir planejadamente e ao longo do tempo em escolas e domicílios os impactos dessa presença.
Produção e Mercado
- Incentivar empresas de desenvolvimento de alta tecnologia a produzir softwares que impliquem no barateamento do livro, impresso ou digital, e na sua mais ampla circulação.
- Estimular a indústria do livro, que envolve uma cadeia produtiva eminentemente limpa, com ênfase às pequenas e médias editoras e gráficas, de modo a ampliar o mercado de trabalho nesse setor em São Paulo.
- Incentivar a instalação regionalizada de empresas relacionadas ao livro, de maneira a promover o desenvolvimento mais equilibrado e desconcentrado da cidade, e de maneira a criar postos de trabalho próximos ao local de moradia dos trabalhadores, o que implica em melhor mobilidade urbana e em elevação da qualidade de vida de seus cidadãos.
- Estimular e apoiar iniciativas de formação de novos autores, ilustradores e profissionais técnicos do livro, de nível médio e superior, e de colocação no mercado de trabalho, seja no âmbito da produção editorial, seja no âmbito da produção gráfica.
- Estimular o surgimento de empresas e apoiar empresas de pequeno e médio porte da cadeia produtiva do livro, de maneira a contribuir para a redução do acentuado grau de monopólio do setor.
- Envolver a Secretaria Municipal de Desenvolvimento no esforço de promover a cadeia do livro, seja estimulando a instalação regionalizada de empresas de produção do livro (médias e pequenas editoras e gráficas), seja na proliferação de livrarias de rua em centros regionais e vias de grande circulação de bairros.
- Estimular e facilitar a instalação e proliferação de livrarias de rua, principalmente em centros regionais da cidade e em vias movimentadas de bairros. A ausência dessa modalidade de livraria condena a cidade a índices baixíssimos de livraria por habitante. Como se sabe, a dificuldade de acesso implica também em baixo índice de leitura. Uma maior área de venda de livros na cidade, além de democratizar o acesso, aumenta a escala de comercialização e contribui para a redução do preço do livro. Hoje, São Paulo é um deserto de livrarias de rua, o que afasta o cidadão de menor renda do livro e condena pequenas, médias e até mesmo grandes editoras a uma situação extremamente difícil, pois as mega-stores de shopping centers estabelecem condições draconianas para a comercialização do livro em suas dependências.
- Cessão de pequenas áreas em parques, clubes desportivos da cidade, centros culturais e casas de cultura para instalação de stands de livrarias, de maneira a despertar interesse e atender o público já frequentador desses espaços e a atrair para eles um público diferente, mais afeito à leitura e aos produtos culturais da cadeia do livro.
- Articular e estabelecer como parte do calendário cultural e turístico da cidade 5 feiras regionalizadas anuais de livros, respectivamente nas zonas Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro, em datas não coincidentes, de maneira a reforçar o surgimento e consolidação de polos regionais de desenvolvimento.
- Estimular a produção de obras sobre temas (tais como imigração e migração, cultura caipira, ocupação do solo, qualidade de vida urbana etc.) e personalidades do mundo científico, cultural, social e comunitário que marcam a identidade da cidade, para composição de acervo público, a fim de estimular a pesquisa e a consciência dos cidadãos acerca da cidade em que vivem.
Fonte: Blog Mudar São Paulo — http://mudarsaopaulo.blogspot.com.br/
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Sobre Walter Sorrentino
Sou médico, nascido em 1954, paulistano. Membro do Comitê Central desde 1988, e Vice-Presidente do Partido Comunista do Brasil desde 2015.
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