O blog Projetos para o Brasil visa a ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.
“Considerando-se a avalanche de más notícias que assaltou o governo na última semana, não deixa de ser importante para os petistas a manutenção do cenário em período tão inóspito”. Essa a tônica da mídia monopolizada acerca da disputa presidencial após o debate da BAND.
Analistas insuspeitos referem com indisfarçável tristeza que, apesar dos apoios, Aécio não cresceu. Enquanto isso, o saldo de aprovação do governo Dilma cresceu. E a conversão dos votos indecisos é maior para Dilma. Pior para Aécio, é que Dilma tem as asas potentes de Lula, cuja indicação acrescenta saldo de votos amplamente positivo. Aécio tem chumbo nas asas, com o apoio de FHC e Marina, cujo saldo é negativo.
As “más notícias” produzidas contra Dilma foram, na verdade, exacerbações dos ataques ao governo sofridas ao longo dos últimos três anos. Foram ao zênite, ao ponto de práticas tão pouco republicanas quanto um juiz atentar contra a sua própria obrigação, tornando públicas delarações de um criminoso, sem provas, vazando seletivamente os autos do processo, exatamente ao se abrir o segundo turno eleitoral. Jânio de Freitas proclamou uma voz verdadeiramente republicana hoje na FSP sobre o assunto (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/190930-em-nome-da-justica.shtml). Escárnio maior foi o episódio bem “republicano” de retirar do sítio do TCE de Minas as comprovações de improbidade do governo Aécio naquele Estado, relativa às verbas da saúde.
Não faz sentido, portanto, Aécio se fazer de vítima de “campanha de ódio do PT”. Ódio, mesmo, foi movido pelas poderosas forças das finanças, monopólios de mídia e, até, forças conservadoras incrustadas no aparato de Estado, ao longo de todos estes anos. O que vai ocorrendo é que Aécio está sendo desmascarado em seu caráter político, retirado da blindagem a que são submetidos os tucanos pela mídia monopolizada. Jamais se referiu, ao longo desta campanha, caso do bafômetro com que foi flagrado em contravenção, ou episódios obscuros como sua relação nada “republicana” com uma mulher, entre outros que oferençam ao eleitor uma amostra de caráter moral do cidadão Aécio.
No plano administrativo, ao longo de trinta anos de vida pública, há marcas de improbidade como no caso das verbas da saúde, mas também casos em que se desvela falta de força moral na forma de nepotismo, algo bem “republicano”.
Eis que intelectuais diversos se obrigam a relembrar a grande marca da esquerda brasileira e mundial, procalamando o voto Dilma para enfrentar a odienta desigualdade social no Brasil, obra notória dos governos Lula e Dilma, em espaço de tempo tão curto de doze anos. É o caso de Maria Rita Kehl em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/190843-voto-contra-o-retrocesso.shtml. Cito-o porque é tematicamente referencial e retira a questão dos limites estreitos do economicismo.
Eis que agora falta água em São Paulo. Antes do primeiro turno, o papoco das tubulações soltando ar começava por volta das 23 horas. Agora, já às 19 horas. Escolas estão sem água por parte do período. Carros-pipa se inserem na paisagem. Vinte e cinco mihões de cidadãos metropoliltanos sofrerão as agruras: nenhuma palavra sobre a responsabilidade de tamanha crise. A não ser atribui-la à maior seca dos últimos 84 anos, antinomia farsesca com o debate da economia, às voltas com a maior crise capitalista dos último 85 anos. Se não é um estelionato eleitoral, um neologismo precisa ser criado.
É por essas razões que a rejeição a Aécio crescem. O eleitor vai desvendando o que há por trás da máscara.
Mas a pior notícia para ele é o movimento poderoso que se pôs em marcha em todo o Brasil por parte das forças sociais que dão base de sustentação a Dilma. O segundo turno retemperou-as, produzindo uma agenda de atividades poucas vezes vista. No fim das contas, o que vai prevalecer é a compreensão da maior parte da sociedade sobre os caminhos percorridos e a capacidade de Dilma em dar-lhes ainda maior projeção. A ver.
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