O blog Projetos para o Brasil visa a ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.
A tese do Brasil dividido é continuação da luta eleitoral por outros meios. Foi proclamada pela voz do dono da oposição, FHC, e tornada central na mensagem de Aécio, pelo avesso: “unir o Brasil”. Visa, essencialmente, a tentar manter Dilma reeleita sob cerco e impor-lhe isolamento político e não dar-lhe “nova luta de mel”. Dilma compreendeu a manobra e deu-lhe resposta já no discurso da vitória.
Não progride a tese, porque é falsa. O Brasil elegeu novamente Dilma Presidenta, num regime democrático eleitoral de massas, dos maiores do mundo. Notavelmente, o povo decodifica as mensagens políticas e vota com seu interesse concreto. Dilma falou mais alto sobre a realidade de vida da maioria e convenceu com propostas de futuro. A oposição fez seu papel, mas demonstrou uma vez mais estar pouco sintonizada com a sociedade em profundas transformações; prega repetidamente para os já convertidos, até o ponto de instilar abertamente o ódio contra uma parte do povo brasileiro e a esquerda em particular. Mas insistir na divisão é papo de derrotados.
A tese da divisão é própria desses convertidos e só poderia subsistir na visão elitista de uma sociedade dos 30% de brasileiros, excludente da maioria como foi em geral na história do país. No fundo, é a visão que eventualmente poderia dividir o país. Subsistiria, em outra chave, sem que seja o caso presente, numa visão exclusivista de outros 30%, os que têm participação política ou em movimentos sociais. Ambas não dão conta da realidade inteira do país.
A maioria do povo trabalhador, não está nessa e não dará maior guarida a uma “revanche” do 2º turno. Está afeita às disputas eleitorais, conhece o significado do presidencialismo e, passadas as eleições, dá as costas à “brigaiada” dos políticos. Vê esses expedientes como algo próprio da “classe política”.
A sociedade como um todo tampouco dá sustentação à tese. Disputa, sim; mas a nação brasileira é maior que a polarização política vista em eleições. País portentoso, completando sua formação nacional, uma das maiores economias do mundo, com uma sociedade civil rica e complexa, desde os movimentos populares até as entidades representativas dos interesses econômicos e as instituições da sociedade civil, a tese da divisão faria a nação prisioneira de uma visão estreita e de interesses obscuros.
É claro que riscos sempre há, mas eles residem em outra parte: a segmentação corporativa do Estado brasileiro, a questão nodal da deficiência da representação política da sociedade no Parlamento e do próprio aparato das funções administrativas das instituições de Estado. E, para ir aos fundamentos, se não for superada a trágica desigualdade social e regional no país, obra que está em curso exatamente porque Dilma a encarna e venceu as eleições. No mais, é a diversidade e pluralismo própria dos brasileiros.
Democracia, povo e nação só podem ser conjugados de forma composta. Se parte da oposição desliga esses conteúdos e, pior, não hesitar no perigo de fazer oposição à nação, ou pregar aventuras e agasalhar intentos proto-golpistas, será um desserviço ao Brasil, mas pior para ela.
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