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A propósito da acidez oposicionista, Cesar Maia comenta que a postura de radicalizar após uma derrota eleitoral é um erro grave. O PSDB visa a tentar manter a presidenta sob pressão de cerco e isolamento, e atender aos reclamos por uma “oposição viril”, aliás há anos pregada pela mídia conservadora.
No discurso de ontem no Senado, Aécio quis agradar a deus e ao diabo, entre os seus. Atende àqueles reclamos mas procura se manter demarcado das versões mais radicalizadas e odientas que seu séquito produziu, logo na primeira semana após a derrota, e da própria iniciativa do PSDB em pedir auditagem das urnas. No caso de Aécio, ainda, para brandir os 51 milhões de votos e buscar manter-se na liderança da oposição que será disputada com Alckmin em 2018.
A oposição indica que não quer “dar tempo” a Dilma, mas corre o risco de ser entendida pela sociedade como apostando contra o país. Tiveram que ouvir do líder petista no Senado, Humberto Costa, a lembrança aparteada ao discurso de Aécio: “quem ganhou as eleições foi Dilma, senador”.
Tem mais: uma oposição assim pretendida, está longe de se bastar com ação parlamentar ou nas instituições. Certo que no caso brasileiro a oposição é um consórcio poderoso, não apenas partidário, e a mídia continuará a ser a oposição radical e cotidianizada a pautar a luta ideológica e política na sociedade. Mas isso é insuficiente para uma oposição orgânica, motivadora e mobilizadora de bases sociais permanentes e ativas, sem correr risco de aventuras políticas para atender aos reclamos odientos e intolerantes que grassam entre setores que a apoiam. O PSDB ainda está longe disso nacionalmente, fora dos períodos eleitorais e essa tem sido o grande “burado negro” da “social-democracia” tucana.
Para Dilma Rousseff, não há dúvida de que o principal neste momento de formação do novo governo é exatamente repactuar a base governista e apontar medidas para retomada do crescimento econômico, recompondo a confiança com o setor produtivo. A vitória alcançada naturalmente cria condições para tanto, ao contrário do que intenta a oposição. Ademais – Cesar Maia o recorda – a radicalização contra ela aumentará as chances de Dilma ampliar sua base de sustentação entre as forças políticas e na sociedade, daí o discurso ponderado e sagaz da nova Presidenta ao discursar após a vitória.
Como em tudo há mais de um lado, não seria mal a oposição a Alckmin em São Paulo aproveitar as lições do revés eleitoral e pôr em marcha um programa e ação oposicionistas dignos do nome, envolvendo forças progressistas, democráticas, os movimentos populares e o “povo das ruas”, juntamente com a ação institucional na Assembleia Legislativa. As urnas precisam ser ouvidas em São Paulo: é preciso falar à sociedade, disputá-la, não como polarização diretamente partidária, mas como crítica fundamentada e projeto alternativo aos 20 anos tucanos no Estado. Oposição sistemática, programática, não apenas nas eleições e não apenas de polarizações partidárias.
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