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O PCdoB nas eleições
Partilho com os leitores os dados coligidos sobre as eleições 2014, para embasar a discussão da direção nacional que se reúne neste fim de semana. Os resultados do PCdoB estão contextualizados como parte da disputa política de alto teor, travada entre avanço e retrocesso. E motivam o debate sobre a realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais fundamentais ao processo de avanço das mudanças iniciadas por Lula em 2003. Neste e próximos artigos, dados são apresentados sobre as eleições presidenciais, as majoritárias nos Estados, e as proporcionais para as coligações partidárias.
I- As eleições presidenciais
O PCdoB foi parte destacada da maior vitória de 2014, a reeleição de Dilma Rousseff, a mais disputada desde 1989. A batalha travada nas eleições, concentradamente, foi da pregação do antipetismo, que é uma onda contra o governo Dilma e a esquerda brasileira, com grande exacerbação política, explorada à direita e à “esquerda”. As manifestações de 2013, entre intenções e manipulações, foram em boa medida capturadas contra o projeto vitorioso nas urnas. O voto de opinião para deputados, por exemplo, foi amplamente conservador e reacionário, ou despolitizado como anti-política, além de voto de opinião por causas segmentares.
Nesse clima, Dilma Rousseff venceu as eleições do 1º turno com 41,59% dos votos, indo ao segundo turno com Aécio que obteve 33,55%. Marina ficou com 21,3% dos sufrágios.
A votação de Dilma foi a menor obtida em primeiro turno desde 2002-2010 (respectivamente 46%, 49% e 47%). Ela venceu 14 Estados, somando quase 60% dos votos na região Norte, 50,5% no Nordeste. Perdeu em 2 Estados para Marina Silva (AC e PE) e, no restante, para Aécio, que a superou nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Venceu em 11 capitais do país – todas no N e NE -, contra 10 de Aécio – com exceção de RR, todas no S, SE e C-O -e 5 de Marina (RJ, PE, AC, TO e AL).
Dilma Rousseff alcançou média nacional em torno de 53% dos votos nos municípios de até 50 mil eleitores de todo o país, 38,7% naqueles entre 50 e 200 mil eleitores, 32% nos de mais de 200 mil eleitores. Aécio Neves teve distribuição mais equilibrada em todos eles, em torno de 33-35%. Marina, por sua vez, alcançou total de 27% dos votos nos municípios acima de 2oo mil eleitores, decaindo para 22% nos de 50 a 200 mil eleitores e, entre os demais, chegando até 11-15%. Comparativamente a 2010, 1º turno, constata-se que a votação de Dilma decaiu em torno de 13-15% nos municípios de 50 a 200 mil eleitores, e 22% naqueles com mais de 500 mil eleitores. Evidentemente, essa distribuição difere segundo as regiões do país.
No segundo turno, Dilma obteve 51,64% dos votos, contra 48,36% de Aécio; em números, 54,5 milhões contra 51 milhões de votos. Ganhou em 15 Estados e obteve maioria nas regiões N elevando sua votação do 1º turno no AM, PA, AP e TO; e no NE, espetacularmente, ampliando sobremaneira sua votação em PE. Na região SE, secunda Aécio: vence em MG e RJ (aumentando a votação em respectivamente 9% e 20% com respeito ao 1º turno) e amplia sua votação em 10% em SP. Nas regiões C-O e S fica atrás do oponente. Dilma venceu em 15 Estados, 3527 cidades do país (contra 2043 de Aécio) e em 59 das 99 cidades em que Marina havia vencido no 1º turno. Praticamente metade dos 54,5 milhões de votos vieram das regiões Sul e Sudeste; outros 35,5% vieram da região Nordeste.
Nas capitais, Dilma venceu em 12, e obteve no total do país 11,5 milhões de votos, 21% do total de sua votação (quando o eleitorado das capitais corresponde a cerca de 23-24% do país). Aécio obteve nelas um total de 13,5 milhões de votos, 26,5% de sua votação no país, vencendo em 15 delas. Em 10 dessas 15 capitais Aécio ultrapassou 60% dos votos; das 12 vencidas por Dilma, em apenas 4 ela superou 60% dos votos. Na capital de SP, a disputa ficou em 63,8% para Aécio e 36,2% para Dilma, ou seja, Aécio obteve aí 1.790.3340 votos a mais que Dilma.
As abstenções, nulos e brancos ficaram dentro da média dos últimos anos: respectivamente 21,1% e 6,34% (somando 27,4%), o que refletiu a disputa muito renhida e polarizada. Na capital de SP esses índices somaram 31,5%.
As eleições aos governos estaduais
A eleição de governadores se resolveu no primeiro turno em 13 Estados. O PMDB teve 4 eleitos, o PT 3, PSDB 2, o PCdoB, PSB, PDT e PSD 1 cada. Apenas 4 dos 18 que disputavam a reeleição foram confirmados no primeiro turno, o restante indo a uma segunda volta com exceção do DF, onde foi derrotado o governador. Nos demais 14 Estados foram ao segundo turno 8 do PMDB, 6 do PSDB, 4 do PT e do PSB, e 1 cada do PROS, PSD, PDT, PR, PRB e PP.
Com os resultados do segundo turno, o quadro de governos estaduais revelou grandes mudanças de grupos políticos no comando, num total de 11 Estados. O quadro de conjunto para os partidos governantes ficou assim constituído:
O PMDB faz 7 governadores, a maioria, mas perdeu com grupos políticos longevos no AM, RN, PA e MA, além do CE. Governará 20% da população, compondo 21,6% das receitas líquidas do total de governos estaduais do país.
O PT e PSDB empatam com 5 conquistas. O PSDB governará 35,7% da população, entretanto 60% disso se deve ao Estado de SP. Decresceu no sentido de lidar com 39,3% das receitas, contra 50,3% nas eleições de 2010.
O PT, com 5 conquistas, governará 24,1% da população e lidará 18,8% das receitas, Perde o RS e o DF mas ganha MG e CE, retomando o PI; reelegeu na BA e AC.
O PSB recuou dos 6 governos eleitos em 2010, com 8,3% da população e 11,9% das receitas, para 3 Estados, com 7,9% da população e 8,3% das receitas.
O maior recuo foi do DEM, que nada conquistou. PDT (2 conquistas), PSD (2), PROS (1) e PP (1) mantiveram relativamente suas posições estaduais em governos.
O PCdoB conquistou seu primeiro governo estadual, para governar 3,4% da população, o 10º do país, e lidar com 1,9% das receitas estaduais e o 16º PIB do país. Foi também a vitória relativa mais pronunciada às eleições estaduais em todo o país e, ainda, onde a votação presidencial em Dilma alcançou o maior índice do país.
Além disso, o partido elegeu um vice-governador e integrou coligação a governador vitoriosa nas urnas em outros 11 Estados.
As eleições ao Senado
Ao Senado Federal, eleição também majoritária resolvida no 1º turno, 11 partidos elegeram 27 senadores, sendo 5 do PMDB, 4 do PSDB, 3 cada do DEM, PDT e PSB, 2 cada do PT, PSD, PTB, e 1 cada do PDT, PP e PR. Com isso, a nova composição do Senado mantém o PMDB como a maior bancada, com 19 senadores, seguida do PT com 13, PSDB 10, PSB 7, PDT 6, PP e DEM com 5, PSD, PR e PTB com 3, e o restante com 1 vaga: PCdoB, PROS, PSOL, SD, PRB e PSC (o PPS assumirá uma vaga como suplente).
Os partidos coligados nacionalmente com Dilma perfazem 65% das cadeiras do novo Senado, 53 em 81. Mas o comportamento das bancadas não é alinhado em todos os casos com a posição nacional da legenda, como no caso do PMDB ou PDT, entre outros.
O PCdoB integrou coligação que elegeu 11 senadores, não tinha compromisso político em um Estado (GO), e perdeu a disputa com candidato da legenda no Acre e Paraná. No total do país alcançou 803 mil votos, 0,9% dos válidos, para seus candidatos a senador. Perpétua Almeida perfez 36,5% dos votos válidos no Acre e Ricardo Gomyde 12,5% no Paraná. Elegeu o 1º suplente no Rio de Janeiro e o 2º suplente em MT. Os partidos coligados nacionalmente com Dilma perfazem 65% das cadeiras do novo Senado, 53 em 81. Mas o comportamento das bancadas não é alinhado em todos os casos com a posição nacional da legenda, como no caso do PMDB ou PDT, entre outros.
(continua na parte II)
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