Blog do Sorrentino – Projetos para o Brasil

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O PCdoB nas eleições: II- As eleições proporcionais

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O PCdoB nas eleições

Partilho com os leitores os dados coligidos sobre as eleições 2014, para embasar a discussão da direção nacional que se reúne neste fim de semana. Os resultados do PCdoB estão contextualizados como parte da disputa política de alto teor, travada entre avanço e retrocesso. E motivam o debate sobre a realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais fundamentais ao processo de avanço das mudanças iniciadas por Lula em 2003. Neste e próximos artigos, dados são apresentados sobre as eleições presidenciais, as majoritárias nos Estados, e as proporcionais para as coligações partidárias.

II- As eleições proporcionais

Na eleição à Câmara dos Deputados, os partidos coligados nacionalmente em torno da candidatura presidencial de Dilma – PT, PMDB, PDT, PCdoB, PP, PR, PSD, PROS, PRB – foram majoritários, alcançado 304 das 513 cadeiras. Manteve assim, praticamente, o mesmo número de 299 cadeiras eleito em 2010. Alcançaram-se quase 54 milhões de votos proporcionais, 55,6% do total de votos válidos proporcionais a federal.

Os que apoiaram Aécio fizeram 128 cadeiras – PSDB, DEM, PTB, SD, PMN, PEN, PTN, PTC, PTdoB – perfazendo pouco menos de 28 milhões dos votos válidos, 25,5% do total.

Aqueles com Marina, 53 – PSB, PPS, PPL, PRP, PSL e PHS. Fizeram 10,8 milhões de votos, 1,2% do total.

As demais 28 cadeiras ficaram com partidos com candidaturas avulsas. Entretanto, 6 novos partidos alcançaram representação, o que resultou em maior pulverização de legendas com mandatos, com consequente redução de bancadas para a imensa maioria delas. Com relação a 2010, cresceu expressivamente apenas o PRB. O PSB e PSDB praticamente estagnaram, com ligeira diminuição dos votos obtidos em 2010. O DEM e o PV lideram largamente as maiores perdas relativas. Partidos constituídos após a eleição de 2010, como PROS, SD e PSD, também ostentaram perdas com respeito às bancadas que compuseram até se abrir o processo eleitoral de 2014.

Fora os citados, nos termos médios todos os demais partidos perderam vagas, ou oscilaram minimamente. O resultado do bloco de partidos com Dilma foi inferior aos de 2010 em 61 cadeiras. A queda foi encabeçada em termos absolutos pelo PT e PMDB – 18 e 12 vagas, respectivamente, mesmo assim mantendo as duas maiores bancadas do Congresso. Em termos de votação nesse bloco, o PT perdeu com respeito a 2010 18,3% dos votos; PR, 23,5%; PMDB, 15,1%; PP, 14,2%; PDT e PCdoB em torno de 31-32%. Só o PRB aumentou expressivamente nessa comparação: 150%. As forças de esquerda da coligação (PT-PDT e PCdoB), portanto, perderam, respectivamente, 18%, 28% e 30% dos votos alcançados em 2010.

Os de Aécio também perderam vagas no total da Câmara, com variações mínimas para mais ou para menos para todos os partidos, excetuado o já citado DEM. Entre os que apoiaram Marina, não houve grande variação no número total de vagas, apenas a variação para menos do PPS e, para mais, do PHS. O PSB manteve o mesmo número de deputados eleitos em 2010, mas reduziu em 8,5% sua votação proporcional.

Nas demais coligações presidenciais, o PSOL elevou sua votação proporcional em 52,7%, perfazendo 1,98% dos votos a deputado federal, elegendo 5 deputados, sendo a 18a. votação proporcional entre todos os partidos.

De conjunto, há leve oscilação para cima nas bancadas da direita, para baixo quanto às de esquerda, e crescimento mais acentuado (e pulverizado) ao “centro”.

As campanhas proporcionais ficaram quase até o fim da campanha no limbo, em termos de atenção e polarização do eleitorado. Atuou aí a polarização centrada na disputa presidencial (nem sequer as estaduais, no 1º turno, salvo poucas exceções, como PE), e o sentimento antipolítica em boa parcela da população.

É nesse alinhamento que se inseriu o PCdoB.

(continua na parte III)

Sobre Walter Sorrentino

Sou médico, nascido em 1954, paulistano. Membro do Comitê Central desde 1988, e Vice-Presidente do Partido Comunista do Brasil desde 2015.

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Publicado às 11 de novembro de 2014 por em Comunista.org, Opinião e marcado , , .

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