Blog do Sorrentino – Projetos para o Brasil

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O PCdoB nas eleições: III- O PCdoB nas eleições proporcionais

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O PCdoB nas eleições

Partilho com os leitores os dados coligidos sobre as eleições 2014, para embasar a discussão da direção nacional que se reúne neste fim de semana. Os resultados do PCdoB estão contextualizados como parte da disputa política de alto teor, travada entre avanço e retrocesso. E motivam o debate sobre a realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais fundamentais ao processo de avanço das mudanças iniciadas por Lula em 2003. Neste e próximos artigos, dados são apresentados sobre as eleições presidenciais, as majoritárias nos Estados, e as proporcionais para as coligações partidárias.

III- O PCdoB nas eleições proporcionais

Resumindo os artigos anteriores, o PCdoB foi parte destacada da maior vitória de 2014, a reeleição de Dilma Rousseff, a mais disputada desde 1989. Elegeu, pela primeira vez na história do Partido, um governador de Estado, Flávio Dino, numa batalha de grande significado histórico para o Maranhão e todas as forças progressistas e de esquerda do Brasil. Governará um estado com 6,85 milhões de habitantes, 3,4% da população brasileira, o 10º maior do país, e o 16º PIB entre os estados da Federação. Tal vitória coroa o preceito, perseguido há quase uma década, de dar protagonismo eleitoral nas eleições majoritárias à legenda 65, do PCdoB. Elegeu ainda o vice-governador no Rio Grande do Norte, Fábio Dantas. Perde uma cadeira no Senado Federal, a despeito das boas votações de Perpétua Almeida no Acre, e de Ricardo Gomyde no Paraná. Participou em coligação da vitória de 12 governos estaduais, em sustentação a Dilma Rousseff. Nas eleições ao Senado, perdeu duas disputas, mas com boa votação de dois candidatos lançados, pelo Acre e Paraná, e coligou-se na vitória de 11 senadores.

Nas eleições proporcionais, o PCdoB elegeu 10 federais em 9 Estados, totalizando 1,98% dos votos válidos nacionais – 1.913.015 votos. Ao mesmo tempo, elegeu bancada de 25 deputados estaduais por 16 Estados, com um total de 2,8% dos votos válidos nacionais – 2.754.206 votos.

Os resultados proporcionais alcançados pelo PCdoB se dão no âmbito da grande disputa política presidencial entre dois campos políticos, extremamente radicalizada, cuja votação, positivos com a quarta vitória popular com Dilma Presidenta, marcou os resultados políticos das forças que a sustentaram. A isso se somam fatores da tática eleitoral ou de condução política, bem como de desempenho de mandatos e da força partidária.

O PCdoB fez como maior votação proporcional 2.754.206 mil votos, 2,8% dos votos válidos, na eleição a deputado estadual. Esse índice não se realizou nas eleições proporcionais nacionais, a deputado federal, onde alcançou 1.913.015 votos, 1,98% dos válidos, 31,5% a menos que na eleição anterior.

Em 2010 esses índices foram, para federal 2,85% e para estadual, 2,43%. Ou seja, o PCdoB elevou sua votação a estadual – que manteve o mesmo índice praticamente que nas eleições a federal de 2010 – e diminuiu sua votação a federal.

A votação proporcional federal se reduziu em 30,4% com respeito a 2010, levando à redução de 1/3 da bancada eleita, de 15 para 10 cadeiras. O PCdoB passou da 12ª bancada na Câmara eleita em 2010 para 17ª posição, mudanças de posição relativas devidas ao PSD, PRB, SD, PROS e PPS (estes dois últimos respectivamente com 2,04 e 2,02% dos votos válidos, contra 1,98% do PCdoB).

Para deputado estadual, a votação se elevou em 15,8%, levando a 25 eleitos, um incremento de 38,9% com respeito aos eleitos em 2010 (37,5% sobre as cadeiras detidas em outubro/2014). Alcançou-se a primeira suplência no AP, ES e RO; e, em chapas próprias, em outros 6 Estados onde se venceu as eleições ao governo – MA, BA, CE, MG, AC e RN. O PCdoB, representado em Assembleias Legislativas de 16 Estados, ocupa a 12ª posição nacional nesse quesito. Dos 16 Estados, 7 deles elegeram em chapas próprias da legenda, com 13 eleitos; os demais 9 Estados elegeram em coligações variadas 12 deputados.

Os federais foram eleitos em 9 Estados: BA, CE, MA, MG, PE, PR, RJ, RS e SP. Os estaduais foram eleitos em 16 Estados: AM, BA (3), MA (3), MG (3), CE (2), SP (2), RS (2), PA, RJ, SC, GO, SE, PB, RN, AC, RR. Em PE e PR foram eleitos, portanto, os federais sem a eleição de estaduais.

Não foram reeleitos 5 atuais deputados federais: Milhomem no AP; Assis no RS; Cadoca em PE, que ingressou no PCdoB em 2013; Protógenes Queiroz em SP e Osmar Jr, no PI, o que demanda exame político e de campanha mais acurado, desde erros de mandato, até erros de tática eleitoral ou de condução de campanha.

Restaram duas primeiras suplências, quatro segundas suplências e seis terceiras suplências. Algumas delas são importantes porquanto se venceu ao governo, com possibilidades políticas de que assumam a titularidade.

A distribuição desses votos segundo a pirâmide do eleitor brasileiro dará indicações importantes sobre o comportamento eleitoral da legenda comunista nestas eleições.

Em termos de região, o decréscimo da votação proporcional a federal do PCdoB foi maior que o total nacional (31,5%) na região SE: 52%, sendo de 67% no RJ; no S: 43%, sendo de 66% no RS; no N: 28%, sendo de 48% no AC; no NE: 2,5%, sendo de 38% no CE e de 28% no PI; no C-O: 31%.  No Maranhão, houve notável incremento de votos, de 237%; no PR, 50,8%, em SC 53%.

Tais números por região são correlatos com o fato de que não se recandidataram este ano a federal, por diferentes razões, Manuela D’Avila, Aldo Rebelo, Perpétua Almeida e João Ananias, mais Gustavo Petta que assumiu como suplente. Os quatro primeiros haviam somado, em 2010, 776.652 votos, não inteiramente repostos. Comparece também para rebaixar o índice nacional alcançado de votos válidos para federal (1,98%) a queda dos votos de legenda (de 44%), maior na região SE (75%), notadamente a de São Paulo (87%, mas considerando um ponto fora da curva em 2010, com Netinho Senador), embora não tivéssemos chapa própria a federal em nenhum caso. Na BA há notável constância no voto de legenda, sem elevação entretanto. Positivamente, aumentaram muito os votos de legenda onde havia candidatos majoritários: MA, 86%; PR 660%; e AC, 135%, demonstrando mais uma vez o papel de candidaturas majoritárias na tática eleitoral de acumulação de forças e de promoção da identidade partidária 65.

Para deputado estadual, o incremento da votação nacional de 15,8% foi puxado para cima pelos resultados da região S, com incremento de 91%, expressivamente com a candidatura Manuela D’Avila no RS, com 129%. A região N ficou na média nacional com 16,8%; as regiões SE e NE ficaram com incremento de, respectivamente, 9% e 7%, abaixo da média nacional.  A redução foi maior no PI, 88%; PE, 72% e DF, 50%. O incremento maior foi na PB, 850%; RS, 129%; CE, 101% e MA, 59%.

(continua na parte IV)

Sobre Walter Sorrentino

Sou médico, nascido em 1954, paulistano. Membro do Comitê Central desde 1988, e Vice-Presidente do Partido Comunista do Brasil desde 2015.

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Publicado às 12 de novembro de 2014 por em Comunista.org, Opinião e marcado , , .

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