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O PCdoB nas eleições
Partilho com os leitores os dados coligidos sobre as eleições 2014, para embasar a discussão da direção nacional que se reúne neste fim de semana. Os resultados do PCdoB estão contextualizados como parte da disputa política de alto teor, travada entre avanço e retrocesso. E motivam o debate sobre a realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais fundamentais ao processo de avanço das mudanças iniciadas por Lula em 2003. Neste e próximos artigos, dados são apresentados sobre as eleições presidenciais, as majoritárias nos Estados, e as proporcionais para as coligações partidárias.
IV- O debate sobre os resultados eleitorais
Nesta quarta parte do artigo, examina-se a distribuição dos votos do PCdoB.
Na tematização proposta pelo CC que conduziu às orientações do 8º Encontro Nacional sobre Questões de Partido, a distribuição de votos no PCdoB, segundo capitais e grandes municípios, teve comportamento que precisa ser correlacionado com o que ocorreu com a votação de Dilma Rousseff.
Para deputado federal, nas capitais o PCdoB teve 36% menos votos que em 2010, índice maior que os cerca de 31% a menos na votação total. A queda foi puxada primordialmente pela região SE, com registro de menos 57,5% de votos com respeito a 2010. Na região N, o decréscimo foi de 34% (AC 69% e PA 50%); na S, 26% (PR 83% e RS 40%); na NE a redução foi de 15% – abaixo portanto da média nacional (PI 54%, CE 39% e BA 38%). Positivamente, os maiores incrementos se deram nas capitais de SE (3028%), SC (290%), MA (89%), PB (90%) e PE (10%).
No interior a votação a federal teve, portanto, queda menos acentuada, 27,9%, sendo que nas cidades com mais de 100 mil habitantes foi de 28,5% (próximo da queda da votação nacional). Depreende-se daí o aumento relativo, mas discreto, de votação em cidades com mais de 100 mil habitantes; nas cidades com menos de 100 mil hab. a queda foi de 30,3%.
Na eleição nacional a deputados estaduais (cuja proporção de votos válidos foi de 2,8%, próximo da votação de 2010 a deputado federal), verifica-se votação cerca de 15% maior que em 2010, sendo que nas capitais observou um decréscimo de 7%. Contraditoriamente, a votação de legenda do PCdoB, favorecida pelas chapas próprias, incrementou-se 147%, elevando-se em 26 capitais (exceção do DF).
O aumento nacional portanto se deveu ao interior, com 22,5% a mais em votos – índice composto por 18,3% mais votos em cidades com mais de 100 mil eleitores e 26,6% dos votos em cidades com menos de 100 mil eleitores, confirmando a tendência já observada anteriormente nestas pequenas cidades.
De todo modo, verifica-se que a votação partidária aproxima-se cada vez mais da pirâmide do eleitorado brasileiro em sua distribuição segundo tamanho dos municípios.
A proporção de votos válidos nas capitais sobre o total do país corresponde, na pirâmide eleitoral, a cerca de 23 ou 24% do total dos votos válidos nacionais e o PCdoB fez 28,4% a federal e 25,5 % a estadual nas capitais. Entretanto, em que pese ser a interiorização um dado também importante, a votação nas capitais observou redução relativa dos votos com respeito a 2010, confirmando mais uma vez a preocupação alertada desde o 8º Encontro Nacional. Um pouco melhor é que se prossegue avançando em maior inserção nos municípios com mais de 100 mil habitantes, onde se obteve um aumento de 18,27% para estadual. No entanto, nesses mesmos municípios registrou-se um decréscimo de 28,54% para federal.
Em termos de tamanho da votação regional, entretanto, não há a mesma distribuição sincrônica: permanece o diferencial de representação do PCdoB no Nordeste. A redução de votos a federal foi mínima no Nordeste e máxima no Sudeste; o aumento de votos a estadual foi abaixo da média nacional nas regiões Sudeste, Norte e Nordeste, e foi máximo na região Sul.
(continua na parte V)
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