O blog Projetos para o Brasil visa a ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.
O PCdoB nas eleições
Partilho com os leitores os dados coligidos sobre as eleições 2014, para embasar a discussão da direção nacional que se reúne neste fim de semana. Os resultados do PCdoB estão contextualizados como parte da disputa política de alto teor, travada entre avanço e retrocesso. E motivam o debate sobre a realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais fundamentais ao processo de avanço das mudanças iniciadas por Lula em 2003. Neste e próximos artigos, dados são apresentados sobre as eleições presidenciais, as majoritárias nos Estados, e as proporcionais para as coligações partidárias.
V- Atualizar o debate sobre a identidade eleitoral do PCdoB
Na avaliação dos resultados alcançados, a direção nacional do PCdoB os contextualizou no âmbito da disputa de campos políticos que marcou a eleição de 2014, sem desconsiderar problemas próprios da identidade e ação partidária. De fato, o desempenho do PCdoB nas eleições proporcionais federais guardou forte correlação com o campo político que integrou. Todas as legendas da coligação nacional com Dilma Rousseff, com exceção do PRB, diminuíram sua votação e bancada federal.
Os resultados são condicionados, repita-se, pelo maior número de legendas com assento na Câmara dos Deputados, o que levou mesmo os partidos coligados às candidaturas adversárias, com poucas exceções, a reduzirem as bancadas. Na Câmara dos Deputados, os partidos à direita do espectro político elevaram ligeiramente sua representação, a esquerda a reduziu e o “centro” cresceu, com pequenas e médias bancadas, elevando a pulverização de legendas.
Tudo isso infere a análise da realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais determinados.
A batalha, concentradamente, foi da oposição do antipetismo, que é uma onda contra o governo Dilma e a esquerda brasileira, pela direita, com grande exacerbação política, mas também residualmente pela “esquerda”. O voto de opinião para deputados, por exemplo, foi amplamente conservador e reacionário, ou totalmente despolitizado como antipolítica, além de voto de opinião por causas segmentares. As manifestações de 2013, entre intenções e manipulações, foram capturadas contra o projeto que integramos.
Para o PCdoB, a questão que permanece é o da sua identidade política e a incidência eleitoral dela.
No atual sistema eleitoral e correlação sedimentada de forças partidárias no país, o resultado eleitoral do PCdoB foi de um grande marco político com a eleição do governador no Maranhão, coroando o preceito perseguido de dar protagonismo eleitoral nas eleições majoritárias à legenda 65. Nas eleições proporcionais federais houve um refluxo, pela primeira vez nas eleições desde a redemocratização. Isso foi próprio da disputa de campos políticos em confronto no país – no qual o PCdoB tem lado definido e irrecusável -, com resultados que podem oscilar para mais ou para menos, dependente do êxito estratégico do governo oriundo das forças populares. Na base social e eleitoral, evidenciada pelas eleições locais para deputados, o resultado foi de franco crescimento.
Na nova realidade de forças emergida das urnas, no governo, no Congresso e na sociedade, tendo por vértice a sustentação ao projeto vitorioso nas urnas, nomeadamente mais à esquerda pelos compromissos e orientação dados por Dilma, será necessário examinar acuradamente as transformações pelas quais passa a sociedade brasileira, refletida em novas contradições emergentes, no ideário e comportamento político de vastas camadas sociais de extração média, particularmente de novos estratos trabalhadores nos grandes centros urbanos. Eles foram alvo de intensa disputa política e midiática, e capturados em boa medida pela pregação conservadora – em especial no desapreço cidadão aos partidos políticos.
Os resultados representam, assim, a exigência de exame profundo em cada Estado e nacionalmente, para formular políticas novas para o PCdoB, partindo do esforço para situá-lo na nova realidade criada pela vitória nacional de Dilma Rousseff, em meio a desafios novos e ingentes.
(Final)
Walter….li todos os seus textos…..parabenizo você e a equipe da Sec. de Organização do partido pelo trabalho. Contudo, percebo que o PSOL teve um crescimento no número de votos na eleição para deputado federal, especialmente no Rio de Janeiro. Não fiz o cruzamento dos dados, mas eles tiveram quase 1,6 milhões de votos para deputado federal, enquanto nós tivemos 1,9 milhões aproximadamente. Acho bom considerar esse fator na análise geral, já que disputamos o voto com eles em uma parcela da população que vive nos grandes centros urbanos.