Blog do Sorrentino – Projetos para o Brasil

O blog Projetos para o Brasil visa a ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.

Um bloco político-social avançado para a união de amplas forças

Plenária MMSS 2Aos poucos, se torna explícita a ideia de unir amplas forças democráticas, progressistas e patrióticas, para enfrentar a ofensiva conservadora, e passar à contra-ofensiva. Muitos segmentos políticos e sociais expressam essa necessidade, a partir da unidade de ação imediata em torno de bandeiras concretas em defesa do Brasil, da democracia e da retomada do crescimento econômico com garantia das conquistas sociais e trabalhistas.

Entre as forças políticas, o PCdoB e PT proclamaram abertamente esse rumo. Numerosos outros segmentos de partidos políticos também estariam abertos a isso. Entre os movimentos sociais, malgrado as discrepâncias, predomina a mesma tônica. Sinal de bom augúrio. A jornada será menos longa se se tiver consciência aguda do atual curso político, instável, perigoso e de desfecho indefinido no país.

Em meio a esse processo, não passaram desapercebidas – embora com repercussão restrita – matérias de imprensa indicando que o próprio PT examina o cenário de uma Frente Ampla, com papel também eleitoral, como no Uruguai. Ou seja, uma formção orgânica. Não se sabe se isso foi um relâmpago invisível acompanhado de um trovão silencioso. Oxalá não. Tarso Genro vem emprestando apoio a algo do tipo há algum tempo.

Está claro que o atual ciclo de avanços no país exige ampla base de sustentação social, econômica e política. Essa é a realidade de correlação de forças no Brasil e no mundo. Na verdade, as experiências de esquerda são como que ilhas, “áreas liberadas”, em meio aos continentes amplamente hegemonizados pelo incontrastável poder político das finanças, da ideologia neoliberal, da força militar e diplomática imperialista – mesmo que em declínio relativo. Eles próprios se resgataram da maior crise financeira dos últimos 80-90 anos e promovem a guerra financeira, comercial e monetária em defesa de suas economias nacionais. Até os países socialistas se veem obrigados a manobrar estrategicamente frente a isso. Que dirá os países da América do Sul, com evidentes carências para fazer a inteira defesa de seus interesses nacionais.

Nessa realidade de forças, no Brasil, um partido apenas, mesmo que forte como o PT, não dá conta da realidade das transformações exigidas e dos embates envolvidos, notadamente se se trata de relançar em outro patamar o ciclo de mudanças e de retomada do desenvolvimento. Com isso aprisiona-se num bipolarismo político a complexa realidade política e social brasileira. Pois então, a ampla frente de forças políticas e sociais é uma necessidade histórica, não apenas para enfrentar a atual crise política, como também, partindo dela, forjar um bloco político-social com papel seminal dessa frente.

Plenári MMSS 1

Argumentei antes que de momento se trata de propor um diapasão único para essas amplas forças dispersas reporem o protagonismo e a contra ofensiva. Mas isso pode avançar para um bloco político-social com protagonismo político, inclusive eleitoral se for o caso, como núcleo popular avançado de forças unidas em torno do programa básico das reformas democráticas estruturais. Nele, se mantém a autonomia das forças que o integram. E com ele se pode nortear a coalizão de forças de sustentação política congressual ao projeto da esquerda, ou seja, disputar o centro político, com rumos ao encontro de desenvolvimento, defesa da economia nacional, competividade da indústria brasileira, e aprofundamento da democracia.

Aliás, bem vistas as coisas, parte da responsabilidade da atual crise política de governo deve ser buscada em um movimento feito no segundo governo Lula. Na ocasião, impôs-se um novo eixo de alianças do PT centrado no PMDB. Respondia-se assim à sustentação necessária do governo. Mas, isso não precisava se dar com o desmanche do bloco à esquerda – PT, PCdoB, PSB e PDT – como ocorreu. Como se sabe, o governo moveu mundos e fundos para derrotar a candidatura Aldo Rebelo na Câmara dos Deputados na ocasião.

Não era o único nem o melhor caminho. Um núcleo de esquerda, para além do petismo, norteando uma mais ampla coalizão de forças, se mostraria mais justo. Jamais se saberá se isso teria impedido a dissensão do PSB de Eduardo Campos ou a atual posição distanciada do PDT. Mas certamente evitaria o relativo isolamento atual do PT, que leva o PMDB à defesa de maior espaço no governo.

O que se verifica é que se revelam insuficiências de diagnóstico da situação brasileira e da atual correlação de forças, além de concepções políticas estrreitas para a realidade brasileira. É possível superar isso, com visão estratégica, descortino político e desprendimento. O próprio PT se beneficiaria muito disso, junto com toda a esquerda política e social. Mas quem ganha mais é o Brasil e seu povo.

Sobre Walter Sorrentino

Sou médico, nascido em 1954, paulistano. Membro do Comitê Central desde 1988, e Vice-Presidente do Partido Comunista do Brasil desde 2015.

Um comentário em “Um bloco político-social avançado para a união de amplas forças

  1. paulobretas
    7 de abril de 2015

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Publicado às 7 de abril de 2015 por em Opinião e marcado , , , .

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