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Magnífico concerto nesta semana em Sampa, de Maria João e Mário Laginha, dois portugueses universais. Sob curadoria de Teco Cardoso, na “pequena jóia incrustada no centro de São Paulo” – a Sala do Observatório do Paço das Artes -, foi um concerto “sobre o mais primal dos instrumentos, a voz humana”.
Melhor seria dizer: divina. Maria João, sua inacreditáveç extensão vocal e força interpretativa, alcança o âmago das emoções. Um canto pictórico, dançante, ondulante, sobre composições de Mario Laginha, pianista que mais amo juntamente com Egberto Gismonti e Brad Mehldau, todos com impressionante fortuna musical e poética. Amo mais ainda o modo como Maria João e Mario Laginha se amam musicalmente.
Acompanho-os há tempos, agora os constato ao vivo. Serindipidade foi Mônica Salmaso presente ao concerto. Porque foi ela que me “apresentou” a dupla. Explico: anos atrás, em entrevista bem fornida dessa artista que é a que mais admiro no panorama atual da música brasileira, indagada se algo a fez perder o sono nos últimos anos, respondeu: Lobos, coiotes e raposas, de Maria João e Mario Laginha, passei noites ouvindo-os.
Um concerto ao mesmo tempo intimista e explosão cósmica. Uma explosão cósmica intimista, que deixa tudo o mais, o resto do universo, por um lapso de tempo, em suspensão. É coisa de escravizar as emoções, arte no estado mais elevado.
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