Blog do Sorrentino – Projetos para o Brasil

O blog Projetos para o Brasil visa a ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.

Agendas e unidade para uma nova estratégia

Não há agenda convergente no país para nada neste momento. Entre Executivo e Congresso, de um lado, entre as duas casas do Congresso, por outro; menos ainda entre ambos e as ruas, sejam as da oposição e mesmo as que defendem o governo.

Tome-se por exemplo, embora seja o mais agudo na falta de consenso, a reforma política. O Senado aprovou projeto de José Serra, introduzindo voto distrital nos maiores municípios do país em 2016. Não passa na Câmara, quase certamente. Esta, a Câmara, quer votar em maio projetos de reforma engavetados há anos. Ambos, Câmara e Senado, aproveitam o vácuo político existente com o enfraquecimento do Executivo e do governo, para promover, na verdade, contrarreformas, para o quê vedar o debate com a sociedade é vital.

Algumas matérias relativas a direitos civis, foram votadas no afogadilho, e aproveitam a falta de consenso na sociedade, com alguma predominância de opiniões conservadoras. Casamento homossexual e maioridade penal são expressão disso. Refletem uma maioria atrasada na Câmara dos Deputados e um pró-ativismo desenfreado de seu presidente.

Nada, embora, como a terceirização da força de trabalho. Um golpe sem misericórdia nos trabalhadores e suas conquistas históricas. Seria o caso de, parafraseando, dar razão uma vez na vida a Lacerda: esse golpe não deve passar no Senado; se passar, não deve ser promulgado; se fosse promulgado, não deveria ser posto em prática, com a resistência ativa dos trabalhadores em grandes jornadas de lutas.

Impeachmet, então, está longe de qualquer consenso, até mesmo na oposição.

Enfim, este país e esta sociedade mudaram muito nos últimos anos; muito foi conquistado, muitas outras coisas são ansiadas, muito ideário conservador veio à tona – sofregamente capitalizados pelos reacionários – e parece que o único consenso é a falta de consenso.

É verdadeiramente um período de transição este que se vive. O que valeu está perdendo eficácia; o que virá, está barrado pela correlação de forças e, sobretudo (sobretudo!) pela limitação teórica da própria esquerda em entender a nova situação.

Não se sai de uma situação dessa, primeiro, com papel ativo das forças democráticas, patrióticas e progressistas, em defesa do Brasil, da democracia e do mandato legítimo da presidenta. Este é o componente de superar a crise política aguda que se vive.

Segundo, sem essas forças retomarem o protagonismo e a ofensiva. Mas ambas as coisas dependerão de estabelecer uma nova agenda para seguir adiante, na retomada do crescimento econômico, na pactuação social e política de sustentação a esse caminho.

E é aí que entra o decisivo: as forças de apoio ao governo precisam ser lideradas pelo governo, de modo que cabe a este explicitar uma nova agenda e, principalmente, uma nova estratégia para seguir perseguindo os mesmos ideais dos últimos 12 anos.
​O que é o pós-ajuste? Como recuperar o crescimento econômico? Como avançar junto à sociedade com pautas universalistas, como as do serviço público eficiente e de qualidade. ​É preciso mudar para que possamos seguir adiante.

Ademais, elas, as forças de apoio ao governo, precisam fazer a sua parte, isto é, disputar ativamente a sociedade, de certo modo independentemente do governo – ou, ao menos, não atribuir ao governo a sua própria falta de iniciativa. E para isso precisavam produzir um fato político: forjar um bloco político-social unitário, partidos e movimentos sociais afeitos à esquerda, em torno de bandeiras convergentes, como núcleo da unidade de forças mais amplas para sustentar a nova estratégia.

walter

Sobre Walter Sorrentino

Sou médico, nascido em 1954, paulistano. Membro do Comitê Central desde 1988, e Vice-Presidente do Partido Comunista do Brasil desde 2015.

2 comentários em “Agendas e unidade para uma nova estratégia

  1. paulobretas
    27 de abril de 2015
  2. A verdade é que nem tudo é o que parece,pois a mídia está manipulando como sempre a opinião pública e não há nehum canal de esquerda, senão o próprio povo, neste sentido é necessário que o auxiliadores da esquerda, principalmente os mais evidentes, façam sua parte contribuindo para que se forme uma nova estratégia de longo e duradouro alcance, caso contrário o poder financeiro da direita vai abafar as conquistas da esquerda.

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Publicado às 27 de abril de 2015 por em Opinião e marcado , , , .

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