O blog Projetos para o Brasil visa a ajudar a organizar o debate em torno do Brasil, suas contradições e perspectivas, à luz das ideias de um projeto socialista para o país.
Em meio aos ziguezagues que se verificam no comportamento das forças políticas – a votação da MP 664 foi um exemplo, no tocante a muitos partidos da base de Dilma no Congresso –, e em especial o jogo que faz o PMDB com o comando da Câmara e Senado, o que devia estar mais claro é que o PMDB vem impondo a agenda política no país nesta conjuntura, seja por sua iniciativa, seja pelo fato de comandar as duas casas do Congresso.
Com unidade e luta entre três pólos – Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros -, com diferentes motivações e cada um dos quais com suas próprias idas e vindas, o fato é que o PMDB foi a âncora das últimas votações do Congresso. Daí resultaram as medidas da terceirização, da maioridade penal, das próprias medidas do ajuste fiscal – com o requinte de ter reptado o PT na votação -, da aparente dominância que parece ter a proposta do “distritão” na Câmara dos Deputados e, por fim, mas não menos importante, a proposição de um novo pacto federativo que reorganize a distribuição dos recursos entre os três níveis da Federação, em curso no debate do Senado.
As forças de centro ou têm o comando do governo ou são, classicamente, o fiel da balança no equilíbrio entre pólos dominantes. No caso do Brasil, tradicionalmente, sempre tivemos um centro muito forte. O PMDB é sua expressão mais característica, em que pese ser uma federação de interesses, em unidade e luta entre si, como referido. Sagaz e experiente, sabe ocupar espaço.
Com o enfraquecimento do governo e com a consequente reorganização progressiva do sistema político – ou ao menos da polarização primária PT x PSDB – é o PMDB que tem dado o tom. Ao fazê-lo recolhe uma pauta de ideário conservador que se manifesta na sociedade e se reflete na Câmara dos Deputados, notoriamente neoconservadora. Têm nas mãos a vice-presidência, e as presidências das duas casas do Congresso. Buscam credibilidade para gerir a crise política, se necessário alternativa, e constituir condições para afirmar seu projeto, que nunca contou com candidatura presidencial com um mínimo de viabilidade desde a redemocratização.
Se a situação não descamba para aventuras golpistas – cada vez menos no horizonte -, o PMDB vai se fortalecer e pode captar parte das forças que se desprendem do comando do governo. Em 2016, podem vir com força e conquistar terreno. O resto dos movimentos, pelas mesmas razões, também tendem a enfraquecer o desempenho do PT em 2016, como é o caso da fusão PSB-PPS e PTB-DEM. Muita água vai rolar, mas as chances do PT estão umbelicalmente ligadas a alguma recuperação da aprovação do governo Dilma, inclusive para 2016.
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